ARENA MAGAZINE #25
FF – Echoes Silence
Patience And Grace
FORÇA DOMESTICADA
OK, nós todos gostamos de Foo Fighters. Dave Grohl é
ainda um herói vivo – ex-baterista do Nirvana, ex-
participante do Queens of the Stone Age, do recém-
visitante Juliette & The Licks e do último disco do
Killing Joke
; Idealizador de um projeto paralelo de metal
muito legal, o Probot... Enfim, é aquele tipo de cara que
não pode ser esquecido de uma hora pra outra.
Mas desde os ótimos Foo Fighters, The Colour &
The Shape
e There’s Nothing Left To Lose, algo parece ter se
perdido. Desde One By One os últimos discos são apenas médios, burocráticos até. E este último não foge da regra que o grande Dave acabou por estabelecer pra si mesmo. Sim, ainda continua melhor que os Creeds e Nickelbacks da vida. Mas é muito menos do que ele pode e deve produzir. Não é à toa que as bandas emos brasileiras agora adoram dizer que os Foo Fighters são a sua grande influência... As coisas ficaram genéricas e burocráticas, sem graça.
Claro, algumas canções ainda soam razoáveis, como “Erase Replace” ou “The Ballad Of The Beaconsfield Miners”; e dentro do pop eles estão muito acima da média. Mas a força descontrolada de Grohl parece ter sido domesticada. Algo se perdeu. Esperamos que não para sempre.
Por Davi Rodriguez (davidavi@gmail.com)
 
PJ Harvey –
White Chalk
SONORIDADE FANTASMAGÓRICA
O novo disco da cantora inglesa Polly Jean Harvey,
ou PJ pro resto do mundo, é uma beleza. White Chalk
é climático, cheio de pianos um tanto etéreos que
fazem um contraste muito legal com a sua voz pode-
rosa.PJ já tem uma carreira consolidada com quase
dez discos, é meio musa do rock alternativo mundial,
fez um show muito potente aqui no Brasil (no Tim
Festival
de 2004) e possui fãs apaixonados pelo
mundo todo (entre eles o Queen Of The Stone Age Josh Homme,
que inclusive a convidou para participar de um projeto paralelo, a banda
experimental Desert Sessions).
Mas aqui, PJ surpreende pela ausência. Ausência de guitarras, de gritos
rasgados, ausência de qualquer coisa que remeta a um som mais pesado de
maneira óbvia. Ausência nas letras, que falam muito de coisas que desaparecem,
de coisas que fazem falta, de pessoas que não voltam.No final, o que acaba
sendo mais surpreendente é que, na verdade, mesmo sem aparecer sob os
símbolos de peso, o disco é extremamente carregado. Basicamente guiado pela
voz de PJ, por piano e por instrumentos que soam antigos e quebrados (banjos, violas, chocalhos), o disco é fantasmagórico e muito pesado. White Chalk
é candidato sério a melhor do ano.
D.R.