ARENA MAGAZINE #26
 
Tim Festival
MARATONA DE SHOWS E ATRASOS
Num domingo de Arena do Anhembi superlotada, o saldo do último dia do Tim Festival tende bastante para o negativo. Não tanto pelos shows, que proporcionaram vários momentos de euforia coletiva, mas pelas condições nas quais o público teve de assisti-los.
Entre uma apresentação e outra, atrasos – de pelo menos quarenta minutos. Como resultado, a última banda a entrar no placo, o The Killers, iniciou suas canções por volta das quatro da manhã, quando a multidão, que aguardava sentada no chão “limpinho” da Arena, reclamava da falta de bebida e comida nos quiosques. Isso depois de cobrarem cinco reais por um copinho de água!
Nos dois grandes painéis colocados ao lado do palco, podiam-se ver mensagens mandadas pelos celulares. Em uma delas: “O tiozinho da água vai ficar milionário!”. Em outra: “Ninguém aqui trabalha?”. Pois é, acredito que a maior parte das pessoas ali devia ir à labuta naquela segunda pela manhã, mas a organização parece esquecer-se desse detalhe. Enfim, mesmo fazendo parte desse grupo proletário que não teria escapatória nas próximas horas, fiquei até o fim do show do sr. Brandon Flowers, vocalista do The Killers.
Vamos a eles.
A noite começou com o grupo norte-americano Spank Rock. Numa pequena apresentação, os rappers, DJs e percussionistas tentaram, só que não empolgaram. Um deles até se jogou no público – é isso mesmo, rolou um stage dive – e só. Mais performance que essa só viria depois com a gloriosa Juliette Lewis e sua empolgante interpretação de uma rock star...
 
   
 
Em seguida veio o pessoal do electropop, o Hot Chip. Eles não contavam com o azar de uma pane no som, que deixou o Festival em silêncio por cerca de dez minutos, mas no fim das contas conseguiram mandar o seu recado. O quinteto fez a Arena dançar e o ápice da agitação chegou com a música final “Over and Over”, acompanhada pelo canto de parte da galera.
 
O melhor do Festival então aconteceu, após uma hora de intervalo. Björk surgiu em um lindo palco repleto de bandeirolas, trajando um vestido colorido e um turbante gigantesco. Acompanhada por um conjunto islandês feminino de metais, a cantora arrasou nas performances, no vocal e efeitos visuais.