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Após vermos a história pela visão de Rex Brooks, vemos também a versão de Thomas Barnes, depois de Enrique (Eduardo Noriega), um policial espanhol responsável pela segurança do prefeito, depois Howard Lewis (Forest Whitaker), um turista americano portando uma câmera filmadora, que está passando por uma crise no casamento e quer levar um vídeo divertido para seus filhos, depois Javier (Edgar Ramirez), que acabou se envolvendo com os responsáveis pelos ataques para poder salvar a vida do irmão (como e porque o irmão dele foi parar nas mãos dos caras maus é um mistério), depois a visão do próprio presidente e, por fim, a visão dos criminosos. Esta última é a única que não para depois de 23 minutos, já que o desfecho do filme é emendado nela.
A idéia dos diferentes pontos de vista lembra um pouco a do clássico filme japonês Rashômon, que conta a história de um assassinato pelo ponto de vista do assassino, do homem que foi assassinado (através de uma médium) e da mulher dele. Mas ainda assim, a proposta de Rashômon é mais criativa já que a questão central é que cada uma das pessoas envolvidas vê o mesmo acontecimento de maneiras diferentes e como a mente pode ser traiçoeira ao armazenar memórias de momentos críticos.
Em Ponto de Vista, não temos nada assim tão interessante. As diferentes visões de cada personagem apenas formam um grande quebra-cabeça no qual são necessárias todas as peças para que o caso seja solucionado.
Nem o ótimo elenco consegue salvar o filme. A excelente Sigourney Weaver (Confidencial) aparece apenas por poucos minutos. Uma pena. Forest Whitaker (O Último Rei da Escócia), vencedor do Oscar de melhor ator no ano passado, não teve oportunidade de fazer jus à sua fama.
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Sua personagem é tão bidimensional e mal trabalhada que fica difícil para qualquer grande ator fazer um bom trabalho. O mesmo acontece com William Hurt (Instinto Secreto). Matthew Fox (da série Lost), parece estar perdido. O único que tem uma personagem um pouco mais aprofundada e consegue fazer um trabalho mais palpável é Dennis Quaid (O Dia Depois de Amanhã), apesar dele passar o filme inteiro com cara de quem tem prisão de ventre.
O grande pecado de Ponto de Vista é achar que uma proposta diferente e criativa seria o suficiente para torná-lo bom, mas o grande número de inacreditáveis coincidências, personagens rasos e motivações inexplicáveis deixam o filme nada crível. Além disso, as constantes voltas no tempo o tornam cansativo. Nos minutos finais, o ritmo acelera e ele volta a ser interessante, mas ao terminar fica uma sensação de tempo perdido, pontas não amarradas e idéias soltas no ar.
Por Cristiane Fernandes (falae@hive.com.br)
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