Os três por si já garantem toda a dose de talento que um filme desses exige, mas o elenco de apoio é igualmente ótimo. Tudo contribui para uma ambientação agradável. Todos os personagens têm personalidades bem definidas e interagem entre si de maneira interessante e muitas vezes divertida.

Por conta disso, certos entremeios políticos acabam sendo tratados com certa frivolidade ou até desdém. Jogos do Poder sofreu severas críticas à época do lançamento em solo gringo por conta desses detalhes e na Rússia foi banido sem ao menos passar uma vez. De fato, passíveis de discussão, mas nada que vá gerar polêmicas absurdas, pois é possível constatar que, mesmo com a dourada básica que o cinema confere, a mensagem básica do filme, o questionamento que ele levanta, não é lá tão absurdo.

Locações representam com fidelidade e competência a década de 1980 e as cenas no Afeganistão impressionam e chocam pelas imagens fortes dos acometidos pela guerra. No mais, a parte técnica dispensa grandes arrojos, sem deixar de lado a eficiência.

Jogos do Poder não é tão contundente como o já citado Sangue Negro, os documentários de Michael Moore ou qualquer outra obra multimídia que ouse tentar dissecar a sociedade norte-americana ou tentar entender os atentados de 11 de setembro. Todavia, é um filme divertido que consegue suscitar, ainda que levemente, tal questionamento.

      As minúcias políticas podem, a princípio, parecer elementos              complicadores para a compreensão da trama, mas tenha certeza                       de que isso jamais ocorre.

Por Claudio Prandoni (claudio@hive.com.br)