Lost Odyssey

21/12 - 17:30
Lost Odyssey é outro ambicioso projeto da Mistwalker para o Xbox 360. Ao lado de Blue Dragon, o RPG promete ser um dos grandes RPGs do estúdio de Hironobu Sakaguchi. Se não bastassem esses dois jogos, o estúdio ainda prepara Cry On, RPG de ação também para o console branco da Microsoft, e o RPG estratégico ASH: Archaic Sealed Heat, que será lançado para o portátil Nintendo DS. Para muitos, entretanto, Lost Odyssey se revela o mais promissor da softhouse do criador de Final Fantasy.
Odisséia precedente
Se Blue Dragon investe na tradição, apostando num certo apelo nostálgico com um roteiro simplista permeado de clichês que remetem aos RPGs da era 8-bits, Lost Odyssey preza pela inovação e apresenta uma trama mais complexa e madura. Como prova disso, para escrever o enredo, Sakaguchi escalou o renomado romancista japonês Kiyoshi Shigematsu. O escritor prometeu uma história lancinante e garantiu que as pessoas irão chorar quando jogarem o título. “O objetivo de Lost Odyssey é fazer com que os jogadores pensem quais são os seus objetivos de vida e realmente reflitam sobre a sua existência. É muito profundo”, afirma Sakaguchi.
Outra figura ilustre é o designer de personagens Takehiko Inoue, criador dos mangás Vagabond e Slam Dunk. O ilustrador, que revelou nunca ter jogado antes um RPG, comentou que está curioso para ver o resultado final. Enquanto nas histórias em quadrinhos os personagens inventados por ele crescem e evoluem ao longo da série, no jogo, esse processo de desenvolvimento dos heróis é feito pela Mistwalker no transcorrer da história.
Historicamente profundo
As reviravoltas do game são situadas num mundo de magia e maquinaria que passa pela Revolução Industrial do Poder Mágico – dilema já utilizado em outros RPGs, como Final Fantasy VI do Super NES e Rogue Galaxy do PlayStation 2. Os reinados vivem um período frutífero em que as pessoas gozam da prosperidade tecnológica. Porém, o desenvolvimento abundante resultou em conflitos constantes de poderes mágicos. O uso de canhões de energia e robôs de destruição torna-se cada vez mais comum. Nesse contexto, surge Kaim Argoner, um intrépido guerreiro condenado com imortalidade. Devidamente munido de uma espada, ele traz à baila lembranças de 1000 anos de guerras por quais passou e também as diversas famílias e gerações que fez parte. Seth, da mesma forma, é uma destemida jovem de cabelos azulados que também viveu um milênio e tentará resgatar do passado as reminiscências que a ajudarão a desvendar o motivo de sua eternidade.
Mas se o personagem não morre, o jogador nunca perde uma batalha? Sakaguchi explica: “Há situações em que você pode continuar lutando, mas não há chance de conquistar a vitória. Neste caso, você deve fugir do combate. Não é porque você tem imortalidade que necessariamente isso vai garantir a vitória em cada luta”. Quatro dos oito personagens jogáveis do game são imortais e têm a capacidade de absorver as habilidades, e cinco deles podem ser aproveitados para o grupo nas pelejas.
Em Lost Odyssey, os confrontos são aleatórios, a exemplo da maioria da série Final Fantasy. Ou seja, os inimigos surgem aleatoriamente, sem a possibilidade de evitar o contato. O sistema será por turnos, com opções recorrentes em games do gênero, como ataque, defesa, magia e item. Após cada vitória, o personagem recebe itens bônus, dinheiro e experiência, como de praxe. Espere enfrentar muitos robôs e máquinas para serem atacadas em seções independentes. Aguarde também por um mundo amplo, com cidades, personagens e cenários para serem interagidos. Na demo apresentada durante a Tokyo Game Show 2006, por exemplo, havia a possibilidade de empurrar pilares a fim de usá-los como ponte para a travessia de um mar de lava.
Mentes por trás da obra
Diferentemente de Blue Dragon, em que Hironobu Sakaguchi é produtor, em Lost Odyssey, ele será o produtor executivo. Para a produção e direção, dois ex-funcionários na Square Enix: Hiroshi Kawai, que trabalhou em Parasite Eve, Final Fantasy VII e IX, e Daisuke Fukugawa, que participou do desenvolvimento de FF Tactics e Legend of Mana. Este segundo tem ainda a companhia de Takahiro Kaminagayoshi. Os três são do estúdio recém-formado feelplus (com letra minúscula mesmo) – tal qual Blue Dragon, o desenvolvimento de Lost Odyssey é terceirizado. Cry On, terceiro game da Mistwalker, igualmente, mas está sob os cuidados da cavia, inc., responsável pela série Drakengard do PlayStation 2, além de Bullet Witch e Zegapain XOR, ambos do Xbox 360. Isso acontece porque a Mistwalker é uma companhia especializada na produção criativa que trabalha na pré-produção, enfocando enredo, roteiro e como esses elementos serão incorporados no jogo. Por esse motivo, o estúdio é formado, aproximadamente, por apenas 30 indivíduos.
Mas confiança mesmo Sakaguchi tem no autor da trilha sonora, que assim como em Blue Dragon e Cry On, será assinada por Nobuo Uematsu. Apesar da escassez de detalhes acerca das canções, é certo que haverá uma faixa pop. Além disso, o compositor majoritário da série Final Fantasy deve explorar gêneros musicais pouco aproveitados por ele, como o jazz. Sakaguchi sugeriu uma música cantada nesse estilo. Mas não pense que irá abandonar o clássico – o site oficial do game tem uma amostra de uma belíssima faixa orquestrada.
Não há como negar que o visual é o que mais se destaca. Usufruindo a Unreal Engine 3, o jogo ostenta gráficos esplêndidos, dignos da nova geração. De acordo com Sakaguchi, Lost Odyssey possui maior número de efeitos que Blue Dragon. Fica até difícil discernir o que é cena em computação gráfica e o que está sendo exibido em tempo real, dada a qualidade e também a transição suave e quase imperceptível. No vídeo da X06, por exemplo, o personagem principal Kaim enfrenta uma miríade de robôs de olhos vermelhos em pouco tempo, tudo com animações verossímeis. Destaque também para a textura aplicada nas espadas e armaduras: extremamente detalhada, com minúcias realistas e convincentes que simulam com perfeição materiais metálicos. No final do trailer, uma cena impressionante: despenca do céu nublado uma quantidade espantosa de lava e rochedos gigantescos destruindo hordas de máquinas naquele ambiente bélico.
Criatividade sem fim
A Mistwalker está mostrando a que veio e Hironobu Sakaguchi tem tudo para repetir o êxito das obras passadas quando ainda trabalhava na Square. “Com esses jogos, meu plano é proporcionar uma experiência diferente aos jogadores. Eu quero que eles tragam coisas novas, algo que as pessoas jamais tenham sentido antes em um RPG”, disse Hironobu Sakaguchi em entrevista à EGM Brasil no ano passado. Ao que tudo indica, a criatividade da mente por trás de Final Fantasy parece não acabar.