Pequena grande aventura

EGM Brasil
06/03 - 16:02
ALEXEI BARROS: Ainda que seja pouco difundida no ocidente, a franquia Dragon Quest é poderosa no Japão, onde os lançamentos dos jogos da série ocorrem nos feriados ou finais de semana para que as pessoas não abandonem escola e trabalho à procura do RPG. A popularidade se reflete nos números: DQVII é simplesmente o jogo mais vendido do PS1 no arquipélago nipônico, com mais de 4,1 milhões de cópias, enquanto DQVIII conquistou o mesmo feito, só que no PlayStation 2, acumulando mais de 3,6 milhões de unidades.
Seguindo a tendência, o natural seria que a Square Enix revelasse o nono capítulo da saga para o PlayStation 3, certo? Errado. Para a surpresa dos fãs, o destino exclusivo da próxima jornada é o Nintendo DS, como anunciado na conferência comemorativa do aniversário de 20 anos da série. A princípio, uma iniciativa sem propósito, porém, analisando-a com calma, totalmente fundamentada. Basta relembrar o passado.
Uma escolha inusitada
Todos os episódios sempre foram lançados para as plataformas de maior sucesso no Japão, como o Famicom e o Super Famicom. Tendo em vista a incerteza quanto ao console mais popular da próxima geração, dado o alto preço do PS3 e as ascensões do Xbox 360 e do Wii, a gigante dos RPGs preferiu anunciar Dragon Quest IX: Hoshizora no Mamoribito (“Defensores do Céu Estrelado”) para DS, que já possui uma base sólida de consumidores. De qualquer forma, a decisão vem dividindo opiniões, tal qual mostrou uma pesquisa da revista Famitsu, em que 46% dos entrevistados não gostaram do fato de o jogo sair para DS; 40,3% aprovaram; 8,5% ainda não têm opinião formada e 5,2% estão hesitantes.
Não obstante, é uma iniciativa ousada, uma vez que é o primeiro episódio da série principal para um portátil e também marca o regresso dela para uma plataforma da Nintendo em 12 anos.
Tradição e pedigree
Evidente que a qualidade gráfica não seria a mesma caso fosse feito para um dos poderosos consoles domésticos, mas a excelência visual nunca foi um trunfo da saga, com exceção do deslumbrante DQVIII. Ainda assim, pelo pouco que foi revelado, nota-se que DQIX está muito longe da feiúra de DQVII, apresentando o mesmo estilo cel-shaded do oitavo capítulo, já que a competente desenvolvedora responsável pelo predecessor, Level-5 (Rogue Galaxy), volta aqui, bem como Akihiro Hino, diretor de DQVIII, que atuará agora como produtor.
Claro, Akira Toriyama, o designer de personagens da série também retorna. Mas não apenas o pai de Dragon Ball: o criador de DQ, Yuji Horii, fará o design e o roteiro do jogo, cujos detalhes não foram divulgados. Além dele, também está confirmado o magistral compositor Koichi Sugiyama, atualmente com 75 anos, que prometeu nunca se aposentar. “Vou continuar fazendo músicas de Dragon Quest até morrer”, disse na conferência. Lamentável apenas que o limitado espaço de memória do cartucho do DS, se comparado a um DVD, não permitirá comportar a trilha sonora com a qualidade de DQVIII, que possui músicas orquestradas na versão americana.
Novas direções
A característica, no entanto, que mais causou polêmica é em relação ao combate. A tradicional mecânica de batalha por turnos será suprimida em favor de um sistema de ação em tempo real. Uma alteração audaciosa, visto que DQ era uma das únicas séries de RPGs a manter essa convenção. Ademais, haverá modo cooperativo multiplayer para até quatro pessoas via Wi-Fi. A caneta Stylus, por sua vez, será aproveitada, por exemplo, para apontar o personagem com o qual você queira melhorar a energia ou mover itens no inventário.
Para Horii, mesmo com todas essas novidades, a produção de DQIX tem um sentimento nostálgico. “Há diversas limitações por termos escolhido um portátil, mas me sinto como estivesse fazendo o primeiro Dragon Quest ao ultrapassar essas barreiras”, explica. O RPG tem tudo para causar sucesso. Não será difícil imaginar os japoneses jogando Dragon Quest no DS todo o tempo, até durante as aulas ou enquanto trabalham.