Retorno divino

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EGM Brasil
09/03 - 18:21

Por Douglas Pereira

Cada vez mais, os dias de ouro do PlayStation 2 vão chegando ao fim. Mas não existe coisa melhor do que encerrar uma carreira vitoriosa do que com a seqüência de um dos melhores games de ação de todos os tempos. Ainda estou muito ocupado jogando a demo do futuro sucesso, então, enquanto fico para descobrir mais alguns detalhes de como certas coisas funcionam, deixo vocês com um texto especial feito por Lachesis, uma das três Irmãs do Destino. Ela é um pouco excêntrica e tem toda uma visão peculiar das coisas (além do fato de adorar chamar Kratos de espartano, talvez por não gostar do nome Kratos ou então porque é fã do Master Chief), mas tem muito a dizer. Depois eu volto.

 

NENHUM PODER É ABSOLUTO

 

Por Lachesis, a irmã do meio
Eu vejo tudo. Cada movimento, acrobacia e esquartejamento que ele faz. O espartano que tomou lugar de Ares não mediu esforços para chegar aqui. Ele continua o mesmo ser sanguinário. Ou, devo dizer, Kratos está mais sanguinário. Ele ganhou a batalha contra Ares tempos atrás. Sinceramente, não acreditava que fosse capaz. Por mais que o destino estivesse contra ele, Kratos superou todos seus inimigos e conseguiu sua vingança. Mas, como sei tudo, sei que sua jornada ainda não terminou.

 

Oras, ele pode ter derrotado um deus, mas ainda é um simples e desprezível mortal. Ah, humanos idiotas! Já estou me cansando da falta de senso desses seres. É claro que pelo fato de um humano estar em um trono que outrora foi de um deus, é algo que não deixaria muito feliz o panteão do monte Olimpo. Atualmente, existe uma conspiração para tirar Kratos do trono de deus da guerra. Uma conspiração arquitetada pelo deus dos deuses, Zeus. Sendo assim, todos os outros deuses se uniram ao onipotente, e assim o mortal insignificante foi expulso.

 

Não posso lhe contar todos os detalhes de como toda essa balbúrdia começou, mas posso dizer que Kratos estava com seus exércitos em uma cidade, com a intenção de destruí-la. Não digo o porquê, porém, fica óbvio que ele faria uma coisa dessas, já que ele é o deus da... guerra. Seus homens não estavam sendo eficientes e, para ajudá-los, o homem com poderes divinos desce para lutar. Ele chegou como um deus deveria, enorme, assim como ficou quando enfrentou Ares.

 

Então, o fato que dá início a sua aventura acontece. Só lhe digo que envolve os outros deuses, inclusive Athena, protetora do espartano. A verdade é que ele acaba perdendo todos seus poderes de deus, restando apenas as Blades of Athena e o Rage of Poseidon. Acho que deveria ter falado esses nomes em seu idioma, mas tanto faz. Sou grega mesmo...

 

Adiantando um pouco o que devo colocar no véu do destino mais tarde, o espartano enfrentará Ícaro e também o temido rei persa. Eu lembro dele. Era ele quem estava pronto para dizimar as forças de Esparta, quando Kratos pediu auxílio a Ares, conseguindo assim sair vitorioso contra os bárbaros.

 

Contudo, ainda não contei o pior: o que o mortal está querendo fazer. Depois de perder os poderes que tinha e ver que o Olimpo é bem mais hipócrita do que ele imaginava, Kratos quer dar um fim a tudo isso. Só há um modo de fazê-lo: se encontrar conosco, as Moiras, também chamadas de três irmãs do destino. Sim, o espartano já está aqui, na nossa ilha. Mas as linhas do destino estão emboladas e ainda não consigo prever o que vai acontecer, mas se por acaso pensa em acabar conosco ou nos forçar a algo, então seremos obrigadas a fazer alguns ajustes nas linhas que contam sua vida.

 

ENTRE LUTAS E FUGAS
Algo que me impressiona acerca do espartano é sua criatividade. Ele consegue fazer de uma situação em que eu passaria o fio de seu destino para minha irmã Atropos se transformar em algo corriqueiro de uma batalha qualquer. Sabendo que ele está muito mais agressivo agora do que em sua jornada contra Ares, seu leque de acrobacias me deixa um tanto preocupada. Olhando o que aconteceu pouco antes de ele resolver vir para nossa ilha, sempre paro para ver essa luta desesperada contra o colosso.

 

A luta aconteceu por toda a cidade. O gigante perseguia o humano impiedosamente, tentando atacar por cima e por baixo. Derrubava construções, fazia o chão tremer. Quando ficava mais alterado, chegava a jogar corpos mortos, achando uma utilidade para a carne putrefata que abundava ao redor dos dois. Em certas partes, o espartano tinha a oportunidade de contra-atacar. Nesses momentos, sua deslumbrante habilidade transparecia. Eram seqüências coordenadas, como se algum tipo de mecanismo fosse acionado na hora certa para desencadear uma série de movimentos arrogantes, violentos e eficientes. Ele começava a pular na estátua gigante e fazia cortes que, mesmo não sendo suficientes para acabar com ela, deixavam explícita a vontade de Kratos de acabar com seu rival.

 

Porém, nem sempre ele ganhava. Algumas vezes, apesar de fazer tudo certo, o inimigo parecia ter algum artifício guardado, e vencia momentaneamente aquele que já não é mais o deus da guerra. Isso durou por algum tempo, até que a batalha teve seu óbvio vencedor.

 

Ele acabou de enfrentar o rei dos bárbaros, que voltou do mundo inferior apenas para ter uma nova chance de matar o espartano – ele quase conseguiu antes, lembra? O espartano chegou em seu cavalo enorme, que quase foi o suficiente para acabar com o embate. Depois de se livrar dele, o rei grande (o dobro de Kratos) começa a ficar maior, chegando a ter 10 metros de altura, e ainda com um temível martelo, que também é maior que o guerreiro. Digo apenas que Kratos saiu vitorioso e agora detém o martelo do rei dos bárbaros, podendo invocar alguns mortos-vivos para ajudar nos combates.
Encerro minha participação por aqui, pois tenho outras obrigações, além de estar com um pouco de medo do espartano chegar aqui onde estamos. De qualquer forma, não acho que ele seja capaz de mudar o próprio destino – e sei o que digo, afinal, sou eu quem faz o destino. Basta uma conversa com minha irmã Atropos e pronto. Veremos.


 

MELHORANDO O MELHOR

 

Por Douglas, de novo

Bom, aqui estou de volta, depois de mais uma sessão jogando a curta demo que chegou aqui à redação. Lachesis já lhe contou o que acontece nela.

 

Venho falar do jogo em si. A verdade é que God of War II não está muito diferente do primeiro, ainda misturando os melhores elementos de Devil May Cry, Prince of Persia e algumas influências menores de games como Onimusha, Zelda e outros. O jogo ficou mais frenético e melhor do que antes, pois Kratos está muito, muito mais puto. A fúria dele é suprema, com um grau de violência fora do comum. Ah, como isso é bom!

 

A novidade mais aparente para quem cansou de jogar o primeiro jogo é que God of War II permite que Kratos mude suas armas e magias em tempo real. No instante em que você aperta o botão, ele muda para uma determinada arma ou magia de sua escolha. Anteriormente, você tinha que apertar juntos L1+R1 para transformar as Blades of Chaos na Blade of Artemis, e sempre que fazia isso, perdia sua contagem de combo, por ser um tanto lento. O novo sistema é feito justamente para que o combo não acabe.
Como a Lachesis disse, Kratos só permanece com as Blades of Athena (que eram as Blades of Chaos antes do final de GoW) e o Rage of Poseidon, que invocava raios em volta do careca. Isso deixa a porta aberta para pegar muitos outros poderes. Já sabemos que o poder da medusa retornará, e também já sabemos de um novo poder elétrico, dado a Kratos por Kronos (um titã, e ninguém menos que o pai de Zeus).

 

Serão quatro armas diferentes. Duas a gente já conhece, são as suas Blades of Athena e Artemis. Outra é o martelo do Barbarian King, como já foi dito. Cada um das armas ou magias continuam podendo ser evoluídas, pagando com o número de Red Orbs correspondente.

 

Sobre a exploração e coisas assim, pouco mudou. Alguns ajustes foram feitos para deixar a experiência mais fluente, por exemplo, o fato de agora só precisar apertar o R2 uma única vez para abrir os baús, ao invés de ficar naquele esmaga-botão só para pegar um Gorgon Eye. Também tem aquela novidade legal de Kratos poder usar suas Blades of Athena para se pendurar em certos locais, usando as correntes como corda para atravessas para o outro lado. Fica registrado aqui que é bem eficiente e a câmera às vezes pega uns ângulos sensacionais.

 

ALÉM DO OLIMPO
Deixando de lado o jogo principal (que, aliás, é uma aventura consideravelmente mais longa que a primeira), temos ainda alguns minigames separados para relaxar. Não, God of War não trará um modo puzzle ou um game de corrida no estilo Mario Kart. Mas não fique triste por tão penosas ausências. GoW II traz de volta o insuportável Challenge of the Gods, aquela arena maldita com milhares de inimigos sedentos por sangue.

 

A diferença é que agora ele tem recompensas de acordo com sua performance. Numa comparação tosca, é parecido com Tony Hawk’s Project 8: você pode avançar fazendo o mínimo necessário, como se fosse uma medalha de bronze, mas só irá conseguir recompensas valiosas se for um grande jogador e passar por aquelas batalhas ultra-difíceis, dignas de medalha de ouro.

 

Outra característica nova – além de ter um modo em que é possível escolher seus adversários – é que toda e qualquer Red Orb que você conseguir nesse modo (ou em qualquer outro que o time resolva colocar) é somada àquelas que você tem guardadas na aventura principal. Ou seja, se quiser ser apelão e melhorar seus poderes ao máximo ainda na metade do jogo, basta ter um pouco de paciência e ficar jogando nos outros modos. Ah, e quando terminar o jogo, você pode recomeçar na mesma dificuldade com todas as habilidades e itens da outra jogada.

 

É isso. Com o lançamento marcado para 13 de março, a Sony lança seu melhor game para sua melhor plataforma (foi mal, PS3). Será ele o melhor game do PlayStation 2? Ganhará ele o selo platina da EGM Brasil? Você diz Gódi of Uór ou Godofô? Saberemos todas as respostas daqui a um mês.

 

Moiras – As três Irmãs do Destino
Na mitologia grega, elas eram as responsáveis pelas linhas do tapete da vida. Ou seja, elas eram encarregadas do destino de todos os seres, humanos ou deuses. Clotho segura o fio do nascimento; Lachesis, a que ajudou em nossa matéria, é encarregada de todo crescimento e evolução da pessoa; já Atropos é a que decide quando – e como – o indivíduo morre. Logicamente, isso não é arbitrário, mas não nos pergunte como elas decidem essas coisas. Quem sabe Kratos descobre isso...

 


Quem está no comando?
David Jaffe, criador e diretor do primeiro jogo, não está cuidando de todos os detalhes de GoW II. Participando de alguns outros projetos – como o projeto vai-saber-se-existe-mesmo HL, para PSP, e o game exclusivo para a PlayStation Store do PS3, chamado Calling All Cars – Jaffe desta vez foi o diretor criativo do jogo. Quem está segurando a maior responsabilidade é Cory Barlog, que passou de designer-chefe do primeiro GoW a diretor em God of War II.


 

Beleza grega
Talvez God of War ainda seja o game mais bonito já criado para o PlayStation 2. Se é verdade ou não, tanto faz, pois sua seqüência está muito melhor que qualquer outro jogo existente para o console. Ainda não entendemos como eles conseguiram fazer isso – de repente, fazer parte dos estúdios internos da Sony garante certas vantagens. Espere até jogar a primeira fase, fugindo e lutando contra o colosso, e você certamente vai ter a mesma opinião que nós.

 

Todos colecionam
Games esperados atualmente costumam ter uma versão de colecionador. Com uns US$ 10 a mais, dá para se ter um DVD extra com making of ou um boneco do protagonista, ou, se quiser pagar bem mais caro, um capacete de Master Chief (que, veja só, também é um Spartan) que cabe na cabeça de um gato. God of War II virá com um DVD apenas com extras, sim, incluindo todo o processo de produção do jogo, mostrando até a primeira vez que a primeira versão para testes foi jogada. O mais legal, por nem um centavo a mais! É, serão dois discos no pacote normal de GoW II, já que ele não terá uma versão de colecionador. Por isso, sempre dizemos: é o tipo de mimo que a barraquinha perto da sua casa jamais irá oferecer.