Review – “Grand Theft Auto IV”

Caio Teixeira
09.05.2008
No dia 29 de abril a produtora Rockstar lançou o novo “Grande Theft Auto (GTA) IV”. Antes mesmo do game começar a ser produzido, muito burburinho surgiu acerca do título, afinal esse era o aguardado sucessor de uma franquia de sucesso e prometia muito. No Brasil o jogo será lançado no dia 12 de maio e custará R$ 229,90.
Para fazer a análise, o Arena Turbo foi atrás de uma unidade americana. Após uma tarde inteira de jogatina na companhia de Niko Bellic, o protagonista, a nossa opinião não foi lá muito diferente do que se viu no resto do mundo. O jogo faz jus às especulações que pintaram sites e revistas especializadas de GTA e no final das contas afirmamos uma única coisa: “Realmente vale a pena”.

Não dá para desgrudar os olhos da TV durante o jogo
Roteiro cinematográfico
No novo game da franquia, você encarna no personagem Niko Bellic, um sérvio mal-encarado que desembarca em Liberty City (cidade baseada na Nova Iorque real) para tentar o “Sonho Americano”. Seu primo, Roman, o hospeda em sua casa – um barraco de dois cômodos na parte pobre da cidade – e aí começam as “trambicagens”. O que deveria ser uma mudança de cenário para Niko se torna uma repetição de sua vida anterior, ou seja, tudo é banhado em sangue e muita pancadaria.

A máfia está no pé do seu primo, ou seja, no seu. Após um problema com a pretendida de Roman, Niko acaba matando um capanga do crime organizado russo e agora deve para eles. E tudo isso é somente o inicio do jogo.
A história do game é digna de um blockbuster de Hollywood, com uma pitada dos filmes de Steven Seagal. Os personagens são bem desenvolvidos, a dublagem é perfeita e o humor-negro segue de mãos-dadas com a realidade. A miscigenação, as diferentes classes sociais e culturas se chocam em Liberty City. Niko é apenas o dedo que puxa o gatilho (e puxa de novo, e de novo...) da máfia, mas a sua ascensão no novo país é palpável; trata-se da história de diversos criminosos reais.
Ambientação
A série “GTA” sempre foi baseada no estilo “sandbox” (onde você possui liberdade de movimentação dentro de uma cidade), mas dessa vez o pessoal da Rockstar foi além e modelou Liberty City da maneira mais fiel (e condizente com o game), de modo que até os dispositivos GPS dos carros possam se comunicar como no mundo real!
Quer conhecer o famoso Central Park? É só roubar um carro (são milhares de modelos no game), ou uma moto, e dar um pulo no Middle Park (que fica na região de Algonquin do mapa) de “GTA IV”. A Estátua da Liberdade também está lá e a ilha de Manhattan (com o nome de Alderney) é uma das últimas partes do mapa a serem destravadas. Todas as áreas são baseadas nos conhecidos e famosos pontos turísticos de Nova Iorque, mas devidamente disfarçadas por um nome fictício que, algumas vezes, lembra o real.

Cada área é dominada por um estilo de população. Se você passar pelo porto verá diversos operários, marinheiros e traficantes andando pelo local. Se andar até a Times Square, ao som da rádio JNR (Jazz Nation Radio) do game - são 18 rádios no total, com centenas de músicas, cada uma separada por gênero -, se sentirá um verdadeiro Frank Sinatra sérvio. É nesse cenário também onde estão os altos executivos, louras de boutique e muitos taxistas.
Não existem construções idênticas no game, já que tudo possui o seu próprio estilo e – como não poderia faltar – pode ser destruído. Todos os pequenos detalhes foram revisados; dos engavetamentos aos aviões levantando vôo no fundo da tela até as diferentes tonalidades das folhagens das árvores no Middle Park. Os policias gordinhos não conseguem acompanhar Niko em uma perseguição a pé e os trens são vandalizados. No jogo não é proibido “entornar algumas”, mas uma recomendação para quem pretende encher a cara é “não andar armado” nessas ocasiões.
A dublagem dos personagens também merece atenção, afinal é, de longe, a melhor já feita até o momento. O cuidado com os tons de voz e sotaques chega a ser assustador. Por exemplo: tentar entender o que o jamaicano Little Jacob falar sem deixar as legendas ligadas é algo que somente Bob Marley ou Jimmy Cliff poderiam fazer. Os russos do jogo conversam com o inconfundível “rrrr” puxado.

Por ser voltado ao mundo do crime, o game mostra durante uma boa parte do tempo o uso indiscriminado de drogas, álcool e prostituição. A produtora só não pegou mais pesado por causa dos defensores da moral e bons costumes da família, que poderiam pedir o banimento do jogo.
Jogabilidade
Se os controles de “GTA IV” não são perfeitos, são ao menos os mais próximos disso que já se conseguiu produzir. O balanceamento entre direção de veículos, mira das armas e combates sem “artilharia” está ótimo. Os diferentes modelos de carros e motos respondem de maneira variada às curvas, freadas e chuva. Cada arma possui uma mira específica e o travamento automático de alvo manteve a qualidade de seus antecessores. Enfrentar uma troca de socos se tornou mais justo, dando direito a empurrar adversário para que tropecem em calçadas e outro objetos para caírem.
O sistema de pontos de vida continua o mesmo de seus antecessores, separando uma barra de energia e outra só para proteção. Enfrentar a polícia também manteve a sua regularidade, mas deixou a “provocação” mais justa: agora você pode até dar uma batida de leve na viatura que eles não irão querer o seu fígado servido ao molho-madeira.

A dificuldade da missão é extremamente influenciada pelo horário em que tentar executá-la. Acertar alvos que usam terno preto durante a noite com um rifle de mira é algo desenhado somente para o Charles Bronson. Uma perseguição “rotineira” se torna um trabalho hercúleo ao ser feita sob uma tempestade.
Gráficos
A engine do game (Euphoria) é responsável pela ótima física dos objetos vistos no jogo. Os reflexos da água são impressionantes, as marcas de bala praticamente infinitas, os detalhes dos vidros quebrados minuciosos e os amassados dos carros bastante realistas. Vale destacar também a interação com os personagens.
Observar a chuva do cais pode ser uma experiência melancólica de tão fiel que a cena se reproduz. Nadar às vezes se torna um trabalho exaustivo devido aos efeitos de sobe-e-desce causados pelas ondas do mar.

Som
Além das 18 rádios diferentes com centenas de músicas, “GTA IV” ainda fez um grande trabalho com o som ambiente. Abrir uma porta com o batente enferrujado causa aquela sensação de filmes de terror trash. Cada arma possui um som muito específico e escutar o ronco do motor de um Marverick causa arrepios até nos mais “perdidos” do mundo automobilístico.
Multiplayer
O jogo satisfaz até aos mais exigentes no modo single player e o modo multiplayer (on line) não fica para trás. Na verdade, poucos games conseguiram reproduzir a sensação de ser persguido em uma cidade como no “GTA IV”. Quando você se conecta à rede é preciso criar um personagem ou escolher uma “personalidade” do game. Um simples deathmatch (o típico mata-mata) se torna uma guerrilha urbana, sendo que não há limite de movimentação na cidade. Enfrentar outros 15 jogadores nesse cenário é impressionante, mas um pouco limitado.

Curiosidades
São tantos os detalhes que fazem toda a diferença em “GTA IV” que foi difícil não se impressionar com as infinitas possibilidades do jogo. Conheça um pouco mais a fundo o fascinante cenário do game.
- Celular: no novo game o telefone móvel faz toda a diferença. Você pode chamar táxis, aceitar missões e confraternizar com outros personagens com um simples apertar de botões;
- Personalização: sempre um trunfo da série, no novo título, a personalização dos elementos do jogo sobe mais um nível, chegando a possibilitar que você mude o fundo de tela de seu celular;
- Internet: assim como na vida real, você pode entrar em um cyber-café com Niko e acessar seus e-mails, procurar por “companheiras”, descobrir qual é o horário e rota mais livre de trânsito ou simplesmente navegar por outras páginas;
- Colisões: uma das coisas mais divertidas e clichês do jogo é colidir com outros veículos ou atropelar pedestres desavisados, porém agora, graças à engine Euphoria, você também pode ser arremessado através do seu pára-brisa há metros de distância dependendo da colisão;

- Social networking: algo novo em “GTA IV” é a possibilidade de cultivar relacionamentos que não estão previstos nas missões do game; você pode arranjar uma namorada para Niko, por exemplo. Com essa novidade foram incorporados alguns elementos exclusivos para a diversão, como clubes de strip-tease, sinucas e bares. A interação do game permite também que o protagonista fique bêbado;
- Teatro: e isso não é uma piada. Você realmente pode ir a teatros e assistir peças completas.
Social Club
O Social Club, uma comunidade on line da Rockstar, permite ao jogador ficar informado sobre atualizações, objetivos cumpridos, ranking e, talvez o mais interessante: torneios. Isso sem falar nos conteúdos promocionais que deverão ser lançados apenas para os inscritos no serviço.
Notas
Jogabilidade – 10
Gráfico – 10
Som – 10
História - 10
Total - 10 (como se fosse possível dar outra nota...)
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