“Ninja Gaiden II”

Bruno Spingola
07.07.2008
“Ninja Gaiden II” chega ao Xbox 360 com a difícil tarefa de dar continuidade ao legado que a série carrega desde que foi re-introduzida no primeiro Xbox. É seguro dizer que consegue, pois é basicamente “mais do mesmo” de um game que já era espetacular, carregando todas as qualidades de seu antecessor, e também seus defeitos. As poucas melhorias estão focadas no sistema de combate que, mais visceral e gratificante, é o ponto forte do game. E também com mais sangue – muito mais.
A carnificina não é totalmente sem sentido – não que isso importe. Na trama você volta ao papel de Ryu Hayabusa, e logo nos primeiros minutos de jogo conhece a nova “femme fatale” da franquia, Sonia, mais uma “turbinada” que desafia a lei da gravidade. Ryu mal tem tempo de conhecer melhor Sonia, pois seu pai está prestes a ser morto e Elizebet, líder do Black Spider Ninja Clan, está em vias de ressuscitar um demônio ultra-poderoso que - prepare-se - quer destruir o mundo! Como último membro vivo do clã Hayabusa, óbvio que acaba sobrando pra você perseguir a lunática gostosona e salvar não só seu pai, como o planeta.

Conforme a trama do jogo evolui, ela vai ficando mais confusa. Mas quem se importa? Muito mais importante é que centenas de litros de sangue separam você de seu objetivo final, em quantidade suficiente pra deixar qualquer fã de “Kill Bill” com inveja. Os combates fazem jus à glória trazida pelo renascimento da franquia em Ninja Gaiden: Black, e se a jogabilidade era fantástica naquele jogo, ela continua impecável aqui.
Cada uma das nove armas de seu arsenal possui seus próprios combos e finishing moves, apresentando um balé sangrento de beleza raramente vista em jogos do gênero. Ninja Gaiden II realmente é mestre em sua arte, definitivamente um dos melhores do gênero nessa geração. Os combates são empolgantes, velozes, e existem dezenas de maneiras de picotar seus inimigos. Os finishing moves em particular são magnificamente brutais, e uma adição muito bem-vinda ao game. Conforme minhas expectativas, desmembrar demônios ninjas com garras no estilo Wolverine é realmente gratificante e chegam até a viciar.

Às vezes logo no primeiro golpe já é possível cortar um braço ou perna fora. E se você pensa que isso o deixará fora de combate, é melhor tomar cuidado. Como o cavaleiro negro de “Em Busca do Cálice Sagrado”, filme do grupo Monty Python, seus inimigos mesmo desmembrados não se dão por vencidos facilmente. Na verdade, ficam até mais furiosos e podem te pegar de surpresa. Por outro lado, ficam vulneráveis a uma decapitação sangrenta no melhor estilo “gore”, que tem efeito “embasbacador” quando assistida pela primeira vez.
Como no jogo anterior, a câmera não possui a mesma qualidade dos combates. Muitas vezes ela mais atrapalha do que ajuda, ficando presa em uma parede, ou entrando em ângulos nos quais é impossível ver seus inimigos. Soma-se a isso a dificuldade inconstante do game, que aumenta drasticamente e sem aviso em algumas fases, e a experiência pode ser um pouco frustrante para jogadores novatos.

Mesmo no modo mais fácil de jogo, o nível de dificuldade pode dar pulos estratosféricos no meio de uma fase. Após hordas e hordas de inimigos patéticos, você pode se deparar com um ninja mutante que, sozinho, vai te transformar em gororoba para demônio antes que você consiga dizer “Hayabusa”. A mesma inconsistência também se aplica aos chefes de fases: Alguns deles possuem estratégias simples demais, enquanto outros levam muitas mortes para entender, ou conseguir matar na sorte. Isso sem falar do chefe que explode quando é derrotado, te levando junto dessa para melhor. O fato de você renascer logo de cara para o chefão alivia esse processo de tentativa e erro, que de outra forma resultaria em um finishing move contra seu console.
As fases são bem lineares, e os únicos desvios do caminho principal levam apenas a caixas contendo novas armas ou técnicas de combate, ou então estátuas para salvar o jogo. Elas recuperam sua vida e agora são muito mais freqüentes. Também aumenta a fluidez da jogabilidade o fato de que sua vida é recuperada após cada combate, te dando mais chance de sobreviver à próxima onda de ninjas do capeta.

Os gráficos não apresentam nenhuma grande inovação, mas são bonitos o suficiente pra envolver o jogador. As cenas de combate se bobear são mais divertidas quando assistidas do que jogadas, pois você não tem que lidar com a câmera esquizofrênica que é marca registrada do jogo. O design dos inimigos é espetacular, dando mais ainda mais gosto de esquartejá-los. Alguns “glitchs” ocasionais, como sangue esparramado em paredes invisíveis ou travadinhas no meio do combate, não deveriam ter passado batido pela equipe de desenvolvimento, mas também não chegam a atrapalhar a experiência geral do game.
Uma outra boa novidade é a possibilidade de gravar suas façanhas de ninja supremo e mostrá-las para o mundo. Ao utilizar esse recurso, é inevitável pensar em quão espetacular seria um modo multiplayer em “Ninja Gaiden II”. Esse seria o jogo perfeito para enfrentar outro ninja on line, ou até poder assistir as lutas como espectador. Infelizmente, como Ryu com Sonia, ficamos apenas na vontade. A trilha sonora não chega a ser espetacular, e na maioria das vezes você nem irá notá-la em meio aos gritos e sons de sangue jorrando. Mas quando presente e audível, aumenta o ritmo alucinante de algumas fases.

“Ninja Gaiden II” não apresenta o mesmo grau de inovação que seu antecessor, porém carrega as mesmas qualidades que fizeram dele um sucesso – e os mesmos defeitos. Os combates são intensos e viciantes, a ação mais fluída e a dificuldade na maioria das vezes é desafiadora, mas gratificada pela beleza visceral dos finishing moves. O game pode acabar frustrando jogadores casuais pela sua dificuldade. Já os fãs da série ficarão muito satisfeitos, pois essa é uma bela continuação para um grande jogo.
Produtora: Tecmo/Microsoft
Desenvolvedor: Team Ninja
Gênero: Aventura /Ação em Terceira Pessoa
Jogadores: 1
Nota: 8.5
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