Cobertura E3: Por dentro das coletivas de Nintendo e Sony

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Pablo Miyazawa, de Los Angeles
16.07.2008

Esta terça-feira foi o primeiro dia oficial da E3 2008, e as fabricantes Nintendo e Sony realizaram suas conferências para imprensa. As duas empresas, grandes rivais no passado, hoje caminham em rotas distantes no mundo do entretenimento eletrônico. Em suas apresentações, ambas preferiram deixar grandes surpresas de lado para dar ênfase a estratégias de mercado para seus consoles e portáteis, números e as idiossincrasias tradicionais de cada empresa.

- Controle do Wii vira 15 instrumentos musicais
- "Guitar Hero: World Tour" rouba a cena com várias novidades e convidados ilustres
- Ubisoft realiza uma conferência com vários títulos interessantes

Nintendo: “Wii Music” e “GTA”

A coletiva da Nintendo se deu no pomposo Kodak Theater (Hollywood), palco da cerimônia anual do Oscar. A empresa japonesa deixou claro que não se preocupa mais em satisfazer o gamer hardcore. Durante uma hora e meia, os executivos reforçaram o foco da companhia no jogador casual e nas possibilidades interativas do Wii e do Nintendo DS. O primeiro game exibido, “Shaun White Snowboard”, da Ubisoft, simula a experiência do esporte se utilizando da Wii Balance, a plataforma-acessório que acompanha o game “Wii Fit”.

Pablo Myiazawa

Shaun White testa sua habilidade em novo game

Animal Crossing: City Folk”, game para Wii com foco no público infantil, tem como destaque a comunicação entre jogadores de diferentes partes do mundo com um novo acessório, o Wii Speak, que nada mais é que um microfone portátil. As novidades para o Nintendo DS surpreenderam, com anúncios de versões de franquias poderosas consagradas em outras plataformas, no caso: “Spore Creatures” (baseado em “Spore”, de Will Wright), “Grand Theft Auto: Chinatown Wars” e “Guitar Hero: Decades”. A empresa ainda demonstrou planos de transformar o DS em um utilitário com funções variadas que passam distante dos games, como um guia de informações em aeroportos, livros de receitas, entre outras idéias.

As revelações para o Wii foram discretas, se levado em consideração o que a Nintendo costuma fazer em suas coletivas pré-E3. “Wii Sports Resort” é a nova versão do game que acompanha a embalagem do Wii. Reggie Fils-Aime, principal porta-voz da Nintendo no ocidente, apresentou o novo acessório Wii Motion Plus, um upgrade que é encaixado na parte de baixo do Wiimote e proporciona movimentos mais precisos. Reggie e outros executivos da empresa fizeram uma demonstração dos novos esportes de “Resort”, que incluem frisbee, esgrima e jet ski.

A coletiva se encerrou com a revelação de “Wii Music”, game musical com foco no público sem experiência com instrumentos ou ritmos. É possível tocar bateria, saxofone, violino ou guitarra (são 15 instrumentos no total), utilizando movimentos no joystick - e, no caso da bateria, do Wii Balance. Mesmo os movimentos menos precisos são compreendidos pelo game, que transforma a informação obtida em um ritmo ou melodia. Shigeru Miyamoto, criador das principais franquias da empresa, ficou a cargo da demonstração, comandando uma orquestra composta por funcionários da própria empresa. Os aplausos não foram muito empolgados. A coletiva terminou sem qualquer menção às franquias mais importantes da Nintendo, como Mario, Donkey Kong, Metroid e Zelda, o que deixou no ar uma sensação de missão não-cumprida por parte da Nintendo. Será que a mais tradicional empresa dos games vai mesmo deixar de lado o público hardcore? Ao que tudo indica, sim.

Pablo Miyazawa

Shigeru Miyamoto testou "Wii Music" durante coletiva

Sony: Brasil na Mira e “God of War 3”

No Shrine Auditorium, uma hora mais tarde, a Sony apresentou suas novidades em um evento mais animado do que o da Nintendo, pelo menos em seu início (a empresa ofereceu comes e bebes em grandes quantidades aos convidados, além de música em alto volume). A apresentação foi de Jack Tretton, CEO da Sony Computer Entertainment America, que apesar do discurso monótono, permaneceu no palco a maior parte do tempo.

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Coletiva da Sony foi mais animada do que a da Nintendo

A apresentação foi concentrada no anúncio de novos jogos para as três plataformas atuantes da empresa, o PS2, o PS3 e o PSP. O aniversário de 15 anos da criação da marca PlayStation  foi lembrado, e os esforços sobre o ainda vivo PlayStation 2 ficaram evidentes: Tretton anunciou que 130 novos games para o console lançados até o final do ano. Jogos para o portátil PSP também foram revelados, em um longo discurso sobre a rede de comunicação PlayStation Network mostrou que a Sony ainda não conseguiu superar o sucesso da rede da concorrente Microsoft, a Live. A possibilidade de baixar e assistir filmes no PS3 foi bastante alardeada, assim como o objetivo de consolidar o PlayStation 3 na máquina de diversão das residências dos jogadores.

Os destaques para o PlayStation 3 não foram tão numerosos e também passaram longe das franquias mais famosas associadas à Sony: o jogo de tiro “Resistance 2”, o interativo “LittleBigPlanet”, e o RPG massivo “DC Universe Online” ganharam um bom espaço. “MAG”, jogo de guerra on line para até 256 jogadores simultâneos, foi apresentado como "uma revolução nos games on line". O vídeo promocional do favorito de todos “God of War 3” rendeu aplausos, apesar de ser muito mais um teaser do que uma demonstração do que o game será capaz.

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Incansável, Kratos retorna em "God of War 3"

A notícia que passou despercebida - mas deve fazer mais diferença para o público brasileiro - foi a de que a Sony pretende começar a distribuição oficial de seus games e consoles na América Latina. A empresa não especificou datas ou países, mas pareceu evidente que o Brasil, maior mercado da região, não ficará de fora da empreitada. É sabido que a Sony já conversa com produtoras instaladas no Brasil, com o objetivo de efetuar parcerias, então é possível esperar novidades em relação ao tema nos próximos meses. Nenhum executivo da Sony estava disponível para comentar o fato.

Pablo Miyazawa

Vista do West Hall mostra que a E3 já foi mais empolgante

A coletiva da Sony se encerrou sem surpresas ou grandes revelações, e, assim como a da Nintendo, deixou um gosto agridoce no público presente. A falta de games de grandes franquias no horizonte enfraqueceu a apresentação, que deixou claro que a Sony quer o topo do mundo novamente, mas ainda não está certa se conseguirá isso tão facilmente. Microsoft e Nintendo, cada uma a sua maneira, não estão para brincadeira.

No primeiro dia

Ao que tudo indica, o primeiro dia de E3 foi mais empolgante que seu predecessor. A coletiva de imprensa da Microsoft fez mais uma demonstração de "Gears of War 2", "Resident Evil 5" e mais alguns detalhes de "Fable 2". Mas o ponto alto da apresentação foi o show da cantora Duffy, que demonstrou a jogabilidade do novo game musical "Lips".

Já a Electronic Arts não trouxe muitas novidades, mas contou com um set list de games de peso. "Sim Animals", mais um jogo da franquia "The Sims", deu o toque de "já esperado" que os fãs da série precisavam. Mostrou mais alguns detalhes do revolucionário "Spore", anunciou "Rage" - do mesmo criador da série "Doom" - e continuou a instigar os gamers com novo survival horror "Dead Space".

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