Cobertura E3: A tranqüilidade do último dia

Pablo Miyazawa, de Los Angeles

Pablo Miyazawa, de Los Angeles
18.07.2008

A E3 2008 já é passado. O evento, considerado o mais importante do mercado ocidental (e talvez mundial), fechou suas portas nesta quinta-feira, após quatro dias de intensa movimentação nos pavilhões do Los Angeles Convention Center, na Califórnia. Ok, talvez não intensa assim: a feira deste ano, em um formato diferente dos anos anteriores, trocou a bagunça organizada de praxe por uma silenciosa e discreta estrutura, que valorizava as análises mais detalhadas dos games, as conversas diretas com produtores e uma evidente contenção de despesas.

Graças ao tamanho reduzido na área destinada aos jogos (cada empresa tinha direito a um espaço máximo de seis por seis metros), era possível aos visitantes tomarem conhecimento de todos os produtos apresentados em um período mais curto de tempo, sem distrações ou multidões. O local seria até silencioso, não fosse pelo constante ruído do estande da Harmonix, que divulgava seu “Rock Band 2”, e a interminável zoeira do aparato da emissora especializada G4 – esta sim, ocupava o maior espaço do showcase. A situação era inusitada: alguns dos estandes permaneciam às moscas na maior parte do último dia, com joysticks abandonados e demonstradores quase implorando pela presença de algum visitante para aplacar o tédio. Passar perto desses territórios significava ser abordado por um produtor desesperado por um pouco de atenção. Com isso, tornou-se fácil jogar a absoluta maioria dos jogos, sem muita espera, salvo raras exceções (“LittleBigPlanet”, do PS3, e “Wii Music” estavam quase sempre ocupados). Mas a tranqüilidade, mesmo bem-vinda, era estranha para os antigos freqüentadores daquele local: aquele se parecia com qualquer evento, menos a E3.

Pablo Miyazawa

Cada empresa tinha direito a um espaço máximo de seis por seis metros

A razão do relativo marasmo da área de jogos se devia ao fato de as principais empresas terem "escondido" seus principais títulos em estandes restritos no andar superior do Convention Center. Desta forma, apenas quem havia marcado horário previamente tinha direito de experimentá-los. “Mirror's Edge” e “Dead Space” (da Electronic Arts), “Lips”, “Gears of War 2” e “Halo Wars” (da Microsoft), “Prince of Persia” e “Far Cry 2” (da Ubisoft), “Left 4 Dead” (da Valve) e “Fallout 3” (da Bethesda), só foram jogados por quem já tinha compromisso agendado - só para citar alguns dos games mais celebrados da E3 deste ano.

AP

Cantora Duffy apresentou o game "Lips"

Haviam também games que estavam disponíveis na área aberta, mas que ganhavam um trato especial nos estandes fechados, como foi o caso de “Fable 2”. Os felizardos com acesso aos domínios restritos da Microsoft eram presenteados com uma demonstração particular oferecida pelo próprio idealizador do game, o sempre solícito e empolgado Peter Molyneux. A Bioware foi uma das que decidiu ficar longe do centro de convenções, montando sua apresentação de “Dragon Age” em um hotel a diversos quarteirões da feira. Até a Activision, que decidiu não fazer parte da E3 deste ano, realizou sua coletiva de imprensa em um local secreto a que poucos tiveram conhecimento.

Pablo Miyazawa 

Apenas alguns privilegiados puderam conversar com Peter Molyneux

Outro sinal dos novos tempos era a situação da área destinada aos jornalistas. Nos anos anteriores, o espaço ficava constantemente abarrotado, com computadores ocupados sem descanso e frenética movimentação das mais variadas figuras. Este ano, a situação era tão calma, que até era possível se concentrar no trabalho sem muitas interrupções. Na meia hora final do terceiro e último dia, a sala de imprensa era a mais absoluta tranqüilidade, exceto pelo grupo de jornalistas brasileiros fazendo sua bagunça particular de costume.

De maneira geral, tanto jornalistas quanto expositores elogiaram a nova versão da feira. Fizeram falta a ausência de estandes suntuosos e atraentes, garotas sorridentes, campeonatos, shows e distribuição farta de brindes, mas isso tudo foi de certa forma compensado por um evento mais profissional e focado, que premiou quem estava lá mais para trabalhar do que para se divertir. Ponto para a comissão organizadora, que, ao que parece, encontrou um formato ideal para a E3, econômico, enxuto e sem muita frescura. É provável que a estrutura seja mantida no evento do próximo ano, já que, de maneira geral, funcionou. Porém, aqueles mais ligados em detalhes podem ter ficado preocupados com o que (não) encontraram na porta de saída do Convention Center: a gigantesca placa que todos os anos deseja um "vejo você no ano que vem", desta vez apresentava apenas um lacônico "obrigado". Linguagem subliminar? É torcer para a E3 prosseguir com sua trajetória de sucesso em 2009.

Pablo Miyazawa

Tranqüilidade atingiu todas as partes do evento

Anteriormente

Ao que tudo indica, o primeiro dia de E3 foi mais empolgante que seu predecessor. A coletiva de imprensa da Microsoft fez mais uma demonstração de "Gears of War 2", "Resident Evil 5" e mais alguns detalhes de "Fable 2". Mas o ponto alto da apresentação foi o show da cantora Duffy, que demonstrou a jogabilidade do novo game musical "Lips".

Já a Electronic Arts não trouxe muitas novidades, mas contou com um set list de games de peso. "Sim Animals", mais um jogo da franquia "The Sims", deu o toque de "já esperado" que os fãs da série precisavam. Mostrou mais alguns detalhes do revolucionário "Spore", anunciou "Rage" - do mesmo criador da série "Doom" - e continuou a instigar os gamers com novo survival horror "Dead Space".

Na terça-feira, segundo dia de evento, foi a vez das fabricantes Nintendo e Sony demonstrarem seus lançamentos, mas acabaram deixando todos com um gostinho de "quero mais". Nenhuma revelação bombástica, jogos mornos, no final foram coletivas praticamente nulas, se não fosse pelo anúncio de "Grand Theft Auto: Chinatown Wars", para Nintendo DS, "God of War 3" para PlayStation 3 e a provável chegada da Sony oficialmente na América Latina - talvez até no Brasil.

O terceiro dia de evento mostrou o poderio das produtoras "menores". A Ubisoft chegou tirando suspiros da platéia com o novo "Prince of Persia", o belíssimo "Far Cry 2" e o misterioso "I Am Alive". Já a Capcom decepcionou: apresentou apenas algumas novidades sobre o filme baseado no game "Lost Planet", com roteiro de David Hayter (dublador de Solid Snake), e nada de "Resident Evil 5". A Konami era uma das grandes promessas, mas ficou devendo, apenas mostrando os novos games da franquia "Castlevania" - "Order of Ecclesia", para Nintendo DS, e "Judgement", game de luta para o Wii - e uma demonstração do novo "Silent Hill: Homecoming", que acabou deixando a sensação de que a série está ficando "cansada".

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