“Quantum of Solace”

Divulgação

New York Times - Seth Schiesel
07.01.2009

Esperar tanto do “Quantum of Solace”, o novo game de James Bond desenvolvido pela Activision, provavelmente não foi justo - nem com o game e nem comigo mesmo.
 
Afinal, games baseados em filmes quase sempre são horríveis. Durante décadas, tanto a indústria de games quanto Hollywood vem condicionando as pessoas a esperar que qualquer game que compartilhe o título com um filme de orçamento milionário seja uma ultrajante produção mal feita que cause vergonha em todos os envolvidos (Uma prova disso são os games Matrix). A maioria dos games baseados em filmes são tão desinteressantes que nem vale a pena reclamar deles.
 
“Quantum of Solace” inspirou esperanças por causa do brilhantismo com que a família Broccoli e a Eon Productions reinventaram a série de James Bond nos últimos anos. Com “Casino Royale” em 2006 e “Quantum of Solace” neste ano, Bond foi novamente transformado em uma pessoa real pela primeira vez desde que ele saiu das páginas de Ian Fleming direto para as telas de cinema. Nos dois últimos filmes, James Bond foi encoberto por motivações pessoais de culpa e vingança, mesmo quando os esquemas nefastos que ele tentava impedir pareciam ter retrocedido.
 
A trama diabólica do último filme gira em torno de uma concorrência para monopolizar o fornecimento de água da Bolívia – importante, certamente, mas nem de longe o tipo de ameaça mundial que os antigos filmes de James Bond costumavam difundir. A trama funciona, pois além de uma caracterização pessoal mais profunda o ultimo filme também oferece o maravilhoso conjunto de atividades glamorosas que fazem de Bond... bem, Bond: ele dirige carros rápidos, seduz mulheres maravilhosas, joga com habilidade, pilota aviões e lanchas velozes.
 
O game “Quantum of Solace” não oferece nada disso. Nele, Bond só faz uma coisa: ele atira. OK, às vezes ele também se humilha e se protege, e de vez em quando sai correndo às pressas. Com bastante frequência ele também dá uns socos em algum cara do mal. Eu já mencionei que ele dá muitos tiros?
 
É triste dizer, mas “Quantum of Solace” é uma mera reprodução de “Call of Duty”, série de games de combate da Activision - só que ao invés de uma zona de guerra, o game se passa em cassinos vazios, aeroportos desertos e resorts remotos. O espião Bond acaba sendo transformando em um soldado. Tem lugares no game que recompensam uma abordagem furtiva, mas, basicamente, você vai acumulando uma contagem de centenas de corpos à medida que atira do final de um nível para o outro. Isso não é James Bond, isso é Rambo.
 
Como um mero game de tiro ao alvo “Quantum of Solace” é satisfatório, mas certamente não é espetacular. Os sistemas de combates básicos serão instantaneamente reconhecíveis a qualquer um que já tenha jogado “Call of Duty”, ou qualquer outro game de combate moderno.
 
Mas, quem precisa de uma licença de Bond para isso? Mesmo como um game de ação, uma fantasia Bond deveria pelo menos incluir alguns veículos, como aquele Aston Martin DSB. Por incrível que pareça, “Quantum of Solace” deixa o jogador sentar no carro, mas nunca o deixa dirigi-lo. Da mesma forma, ele nunca chega a interagir em cenas do filme, como atravessar o porto de Port-au-Prince, no Haiti, em uma lancha em alta velocidade, ou sobrevoar o deserto boliviano.
 
O que aconteceu aqui parece claro: a Activision se recusou a aumentar o orçamento de um game baseado em filme ao nível requerido para incluir tanto um simulador de carros e um engine de tiro em primeira pessoa.
 
A campanha single-player deve levar entre 6 e 10 horas, e o game também suporta a variedade costumeira de opções multiplayer online. Eu joguei no PC, embora o game tenha versões para Xbox 360, PlayStation 2, PlayStation 3, Wii e Nintendo DS. 
 
Um dia alguém irá fazer um fabuloso game que realmente tente simular a vida e as aventuras de um agente secreto. “Quantum” não é horrível, mas também não é um game daqueles. O novo título não passa de um simulador de tiros vestido com um terno bem talhado. Não espere muito mais além disso.

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