Activision-Blizzard anuncia presença oficial no País

Divulgação

Bruno "Bagaço" Vasone
09.01.2009

O diretor da Activision-Blizzard para a América Latina, John Dillulo, em visita ao Brasil essa semana, anunciou que a empresa entrará oficialmente no mercado brasileiro de games esse ano. O objetivo dessa primeira visita ao País foi conhecer e familiarizar-se com o mercado. Além da coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira, Dillulo também aproveitou para visitar distribuidores, varejistas e empresas chaves do setor, como Latamel (Nintendo) e Microsoft.

A iniciativa está sendo planejada em conjunto com a IDG (International Development Group), empresa baseada em São Francisco cuja área de especialização é auxiliar empresas norte-americanas como a Activision a entrarem em mercados internacionais na América Latina e Brasil.

Bruno "Bagaço" Vasone

O diretor da Activision-Blizzard para a América Latina, John Dillulo

A Activision-Blizzard notou a importância, ou melhor, potencial que o mercado brasileiro tem no cenário mundial dos games, e planeja atuar mais diretamente no desenvolvimento do mercado nacional. Até então a empresa não contava com qualquer escritório ou divisão direcionada ao País. Nos últimos três anos, o foco da divisão para a América Latina da Activision foi centrado no México, mas Luis Pasos Paredes, da IDG, acredita que o pólo latino-americano possa mudar em breve. “O Brasil tem potencial para tornar-se o País mais importante do mercado latino de videogames.”

Dillulo comentou que planeja intensificar o relacionamento com imprensa e revendedores, a fim de realizar ações que promovam os games da empresa de maneira mais eficiente.

A falta de jogos nas prateleiras é um problema já identificado e que está sendo avaliado pela empresa. O planejamento inicial inclui não apenas melhor utilização dos canais de revenda, como estações para testes de jogos como “Guitar Hero”, mas também ações promocionais por parte da Activision para promover melhor seus games. “Uma das coisas que nos assustou nessa primeira visita foi a falta de títulos como 'Call of Duty' nas prateleiras, ou bundles de 'Guitar Hero' contendo bateria, por exemplo, e isso é algo que pretendemos resolver”, comentou Paredes.

Bruno "Bagaço" Vasone

Luis Pasos Paredes, da IDG (esq.) também estava na apresentação

O alto preço dos jogos no Brasil também é motivo de preocupação, segundo Dillulo. “Videogames requerem um grande investimento, e são especialmente mais caros no mercado brasileiro, o que é triste para o consumidor”. Para ele, uma estratégia que poderia ajudar a impulsionar o mercado é justamente oferecer aos consumidores a oportunidade de testar os jogos antes de comprá-los, retificando a confiança na qualidade do produto e justificando seu preço.

“Uma vez que o consumidor compre o jogo e realmente goste dele, isso inspira uma lealdade pela franquia, tornando-o mais propenso a comprar sequências, como 'Call of Duty 5' ou 'Guitar Hero 5' por exemplo”, afirmou Dillulo, confiante que balcões de demonstração e eventos de lançamentos possam oferecer uma primeira oportunidade aos consumidores de se apaixonarem pelos games da empresa.

Dillulo também afirmou que a situação atual do mercado brasileiro é muito semelhante à encontrada no México há aproximadamente três anos, quando assumiu o cargo de diretor para a América Latina. “Vimos exatamente a mesma coisa na época no mercado mexicano: alguns poucos distribuidores confusos em como vender nossos produtos, games eram lançados sem coletivas de imprensa ou eventos de lançamento para os consumidores. Quando começamos a tomar ações mais diretas ao entrar oficialmente no mercado, notamos um grande impacto, não apenas nas vendas mas também no comportamento dos consumidores, e isso é muito importante para nós”.

Com essa nova diretriz, a empresa pretende triplicar a venda de seus produtos até o final de 2009, possivelmente rivalizando com a presença da empresa no México. O instituto de pesquisa norte-americano NPD, conhecido por quantificar números de vendas de jogos e oferecer uma boa visão do mercado em diversos Países, planeja iniciar atividades no México ainda esse ano, e segundo Dillulo não irá demorar muito para o instituto decidir vir ao Brasil, o que ajudaria muito na medição de tais números.

Bruno "Bagaço" Vasone

Um fator que pode auxiliar e muito no desenvolvimento do mercado brasileiro, segundo Paredes, é o fato do Brasil possuir uma comunidade gamer muito mais complexa e madura do que a encontrada no México há três anos. “As pessoas gostam mais de jogar videogames aqui, já é um fenômeno cultural, sem falar que o mercado é potencialmente 80% maior”, afirma. E completa: “essa é uma combinação promissora, principalmente levando em conta a presença oficial de distribuidores internacionais e fabricantes de consoles como Microsoft e Latamel (Nintendo), e se a revenda atuar de maneira correta – mesmo considerando os altos impostos – o Brasil tem tudo para tornar-se o mercado de games mais forte da região”.

A localização de games para o mercado brasileiro, ou seja, manuais traduzidos, legendas e dublagem, é outro ponto importante para uma estratégia de desenvolvimento de mercado, mas que ainda não está nos planos da empresa. Segundo Dillulo, ainda é necessário avaliar o mercado, pois tais procedimentos custam caro e precisam valer a pena do ponto de vista comercial.

Isso, ou uma intervenção federal, como ocorreu no Canadá, cujo governo eventualmente exigiu que todos os jogos possuíssem manuais traduzidos para o francês. “Como o mercado justificava tal ação, nós adaptamos nossa estratégia e deu certo – eu sei que é sempre melhor jogar games em sua linha nativa, mas dublagens por exemplo são muito caras, então vai depender das exigências do mercado,” comentou Dillulo.

John Dillulo finalizou a entrevista ressaltando a importância da entrada oficial da Activision-Blizzard no País, e reafirmando que não o estariam fazendo se não acreditassem no potencial do mercado. “Nós só faríamos isso se sentimos que o suco justificasse espremer essa fruta, e o que realmente me surpreendeu é a paixão dos gamers brasileiros pelos jogos – e no final do dia, essa é a força motriz por trás desse mercado: a diversão. É a razão pela qual eu adentrei esse mercado, e pela qual acredito que essa iniciativa dará certo e impulsionará o mercado”.

Leia mais sobre: Activision e Blizzard




ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Ver todas »