"MLB 09 The Show"

New York Times - Seth Schiesel
05.05.2009
Não estava esperando que um relativo ninguém como Brett Gardner salvasse o dia para o New York Yankees quando inauguramos nosso novo estádio chique no Bronx.
Mas lá estava ele, o novato de 25 anos enfrentando Rafael Perez, do Cleveland Indians, na segunda parte do nono inning em um tenso 2-2. Com apenas dois eliminados para o fim do tempo normal, os arremessadores do Yankees já estavam aquecendo no bullpen para os innings extras.
Não seriam necessários. Atrás na contagem com uma bola e dois strikes, Gardner acertou contra uma bola curva e a lançou para a linha à direita do campo, onde quase acertou o poste e conseguiu um home run da vitória. Cria-se mais uma lenda Yankee, pelo menos na minha casa. (Aliás, o novo Yankee Stadium está ótimo.)
Certo, então não era real – embora esteja certo que o Brett Gardner verdadeiro aceitaria com felicidade a atuação na inauguração da nova casa na quinta. Foi só um dos muitos momentos emocionantes, assustadoramente realistas e profundamente fascinantes de puro drama liberados por “MLB 09 The Show”, meu jogo favorito de esportes em muitos anos.
De todos os gêneros de jogos, o de esportes está quase sozinho ao tentar descrever com precisão eventos do mundo real com os quais a maioria das pessoas está pelo menos um pouco familiarizada. (O simulador suburbano de casinha “The Sims” é outro.) E é por isso que muitos jogos de esporte têm sido tradicionalmente tão insatisfatórios: o vão de realismo, fluidez, equilíbrio e imprevisibilidade entre o videogame e o jogo ao vivo tem sido evidente para todos que podem ligar uma televisão.
Uma das coisas mais difíceis de conseguir são as interações complexas, íntimas e infinitamente variáveis entre os corpos humanos. A maioria dos games de luta e RPG nem tenta desenhar as físicas humanas realistas em nada além de conceitos rudimentares (com a exceção de partes de corpo que voam.) É por isso que jogos de golfe e corrida têm sido tradicionalmente fiéis às simulações de esporte: golfe e corrida, e o Wii bowling, envolvem física, mas interação zero entre pessoas.
Muitos jogos de esporte desviam a inabilidade de oferecer experiência natural intuitiva ao abandonar inteiramente as algemas do realismo – tornando-se uma aproximação cartunesca – ou ao enterrar o jogador em tantas camadas de complexidade que descobrir como jogar um game se torna quase que completamente distinto de qualquer compreensão do esporte.
“MLB 09 The Show”, publicado pela Sony para o PlayStation 3 (outras versões estão disponíveis para o PlayStation 2 e para o PSP) torna todos esses acordos irrelevantes. “MLB 09” não precisa se ancorar em efeitos de nenhum tipo porque no seu coração está a simulação mais orgânica e ritmicamente precisa e natural de todos os títulos de esporte que vi. Os jogadores, seus movimentos, o arco de um lançamento, o giro da bola quando em contato com o taco, as reações animadas da defesa e todas as outras minúcias delicadas do beisebol são capturadas aqui com uma profundidade que parece analógica, não digital.
Um resultado é que “MLB 09” nunca soa arbitrário. Uma bola pode ter uma desviada fortuita ou catastrófica. A derrota pode ser arrancada das mandíbulas da vitória. Isso é beisebol. Mas em mais de 15 horas com “MLB 09” nunca tive a impressão de que a máquina estava conspirando contra mim, o jogador humano. Nunca me senti como se um algoritmo estatístico estivesse ditando que eu devia eliminar em um certo momento a fim de preservar uma medida estatística pré-ordenada. E depois de uma série de jogos os resultados e estatísticas sempre pareciam bem plausíveis.
Porque a simulação central do beisebol é tão sublime, “MLB 09” não precisa lançar os jogadores em uma extremidade profunda em termos de dificuldade. Para novos jogadores que só querem focar o básico de rebater e arremessar, o software pode controlar a corrida entre as bases e a defesa para você. Um estreante não vai conseguir home runs no começo, mesmo no nível mais fácil; você precisará trabalhar com o olho do rebatedor para triunfar. Mas apenas em uma ou duas horas os jogadores novos podem se virar em um jogo de nove innings. (Um jogo completo geralmente leva entre 30 e 60 minutos.)
E não se engane, pois o verdadeiramente obcecado por beisebol “MLB 09” pode ser prejudicial à sua saúde. A complexidade e variedade de opções disponíveis para o jogador intrépido são, francamente, intimidantes. Pode-se jogar como gerente em vez de jogador, ajustando confrontos e mudanças no infield e no outfield a cada arremesso. Ou você pode jogar como gerente geral e ficar completamente perdido em jogadores dispensados, trocas, arbitrariedades, drafts e negociações de salário, sem mencionar a programação de treinos, trabalhos de sondagem, até concessão e investimento em estádios.
Minha breve carreira na administração foi um desastre, então por ora estou de volta ao campo. Meu Yankees está tendo uma temporada decente até aqui, ainda que não espetacular. Com atualizações de elenco automáticas do mundo real em “MLB 09”, ainda estou esperando que Alex Rodriguez volte de sua lesão, mas o resto dos jogadores está se virando.
Principalmente meu novato favorito, Brett Gardner.
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