Acorde para poderes mágicos e uma cidade a seus pés

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New York Times - Seth Schiesel
24.06.2009

Havia pelo menos 60 metros até a calçada a partir do cabo de força pendurado entre o parapeito em ruínas em que eu estava escondido e o telhado, de onde cinco mutantes estavam atirando em mim com lançadores de foguete e rifles de energia. Podia ter pulado – uma pequena queda não me machuca mais – e me esgueirado na parte de trás da torre, mas o caminho mais curto entre dois pontos é uma linha reta, até aqui em Warren, esse gueto fétido nos escombros do que costumava ser a Empire City.

Então saltei direto no cabo e deslizei, com faíscas saindo dos calcanhares enquanto dois mutantes caíam com tiros na cabeça do meu canhão de plasma. Pulei do cabo para o meio deles e desferi uma onda de concussão, explodindo mais dois bandidos precipício abaixo. Um chute roundhouse e um gancho esquerdo na mandíbula depois e o último dos malucos estava inconsciente a meus pés. Tempo total passado: cerca de 12 segundos.

Muitos jogos tentam fazer com que você se sinta um super-herói. “Infamous”, novo game de ação/aventura da Sony para o PlayStation 3, é um dos poucos que realmente conseguem. Se você já quis conhecer a alegria de talentos de outro mundo – a habilidade de lançar bolas de eletricidade dos pulsos, alçar voo de terraço em terraço – enquanto presta um julgamento onipotente como um deus em inocentes e malvados, jogue “Infamous”.

A força suprema dificilmente foi mais divertida. Em “Infamous” a ação começa depois que uma explosão cataclísmica destrói muito da Empire City moderna enquanto também lança uma praga de loucura nos sobreviventes. O governo federal coloca a cidade em quarentena, jogando os habitantes à própria sorte. O protagonista é um ex-mensageiro chamado Cole que acorda depois da confusão dotado de uma disposição de poderes recém-descobertos que são desferidos pela sua habilidade de canalizar eletricidade diretamente no próprio corpo. Você – como Cole – parte para resolver os mistérios do desastre e levar vida de volta à cidade.

Mas o tipo de vida você escolhe. “Infamous” não é um sermão de moralidade – em seu núcleo há uma viagem emocionante direcionada pela ação – mas o game força o jogador a decidir dentro de quais limites (se houver algum) e com quais objetivos Cole vai exercer sua força assustadora. Você compartilha comida com civis famintos, ou a mantém toda para si e para os amigos? Você ataca uma linha de policiais corruptos de dentro de uma multidão sem defesa, usando-a como escudo, ou atrai o fogo os policiais para longe dos inocentes?

A trama não é de toda sem engenho e se desdobra ao longo de dois trilhos separados, dependendo de como você se comporta. Pode-se ascender ao status quase divino de Herói, amado pela população traumatizada, ou pode-se baixar para se tornar completamente infame, explorando e dominando os fracos. Além de modificar a história em si, suas escolhas morais determinam que tipos de habilidades avançadas ficam disponíveis para você mais adiante no jogo.

Pelos padrões do gênero de ação, a dublagem de “Infamous” podia ser bem pior. A Sucker Punch, desenvolvedora do jogo, faz um bom trabalho ao apresentar os aspectos em nível macro e pessoal das escolhas de Cole: veem-se os efeitos dessas decisões tanto na cidade em geral quanto diretamente em personagens específicos envolvidos na história.

O coração de “Infamous”, entretanto, é o modelo de física impressionante e a verticalidade do ambiente da Empire City. Ao ficar sobre um peitoril ou terraço, pode-se vislumbrar áreas enormes da cidade arrasada ao seu redor, e pode-se pular, escalar e planar sobre quase qualquer lugar. Correr em telhados, escalar paredes, deslizar em cabos – tudo cria um senso feliz de movimentos fluidos.

Muitos jogos são construídos no conceito de pular de plataforma em plataforma, por isso o termo “jogos de plataforma”. A característica de plataforma de “Infamous” é divertida porque raramente é frustrante. Cole automaticamente se agarra a um poste ou parapeito ou cano quando possível, então você, o jogador, dificilmente fica chateado por perder o mesmo pulo várias vezes.

Não se engane. Não é preciso um raciocínio muito elevado para chegar até o final de um jogo como “Infamous”; boas reflexões e coordenação da mão com o olho são suficientes. Mas é preciso um raciocínio muito elevado para criar um jogo como “Infamous” – um game que une uma riqueza de convenções de jogos de ação em um pacote estiloso e com o qual vale a pena passar as férias.

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Tags: PlayStation 3, jogos para plataforma, jogos de ação



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