Jogo da Activision "Prototype" despeja lixo em Nova Iorque

New York Times - Seth Schiesel
08.07.2009
Nova Iorque nunca me entediou antes.
No entanto, lá estava eu em algum lugar da rua 14th – explodindo tanques com os meus punhos carregados, pegando as cascas carbonizadas de carros e arremessando-as em helicópteros que planavam, desmembrando policiais e também mutantes, apanhando pedestres inocentes e consumindo suas almas para recuperar minha própria energia – quando fiz algo completamente esquisito. Bocejei.
“Prototype”, o novo jogo de ação/aventura da Activision, quase não tem pudor quando o assunto é apropriar (ou roubar) a coleção de clichês de quadrinhos e jogá-los, no estilo pia de cozinha, no jogador. Homem-aranha, certamente. Wolverine, definitivamente. Hulk, presente e contado.
Mas Alex Mercer, o protagonista controlado pelo jogador em “Prototype”, não é nenhum Peter Parker ou Bruce Banner. Ele não é nem tão interessante quanto Cole McGrath, o personagem central em “Infamous”, o outro game de grande super-herói do começo do verão. Em vez disso, Mercer é pouco mais que uma máquina de matar mecânica à solta para transformar Manhattan em uma zona de combate pessoal.
Não há dúvida de que os videogames geralmente estão se tornando bem mais sofisticados no contar de histórias. A chave é abrandar a ação com alguma inteligência, algum estilo, alguma profundidade moral ou ambiguidade. Porém, também não há dúvida de que os videogames ainda recebem muitas críticas como sendo pouco mais que simuladores de violência acéfalos.
“Prototype” não faz um bom trabalho de refutar essa caracterização. Estritamente como exercício de apertar botões como forma de tirar a atenção visualmente, “Prototype” é adequado. Mas mesmo no nível mais básico e mecânico – explosões, cadáveres voando pelo ar, movimentos de luta acrobáticos – o jogo raramente se eleva para além do medíocre.
Isso não quer dizer que “Prototype” é todo fraco. A Activision, cujos jogos de sucesso incluem “Guitar Hero” e “Call of Duty”, é uma produtora muito experiente para isso. Mas a palavra que melhor descreve “Prototype” é genérico. E pelos US$ 50 ou US$ 60 que custa, ser meramente genérico não é suficiente mesmo.
Então aqui vai toda a premissa inteiramente previsível: você começa o game ao acordar como matéria de um teste em um laboratório de pesquisa genética suspeito. Claro, você foge dos cientistas malvados e descobre que foi dotado de todo o tipo de habilidade sobrenatural, como cair de alturas tremendas sem se machucar e desabrochar lâminas de matar dos antebraços.
Enquanto isso, Manhattan foi transformada em uma área de guerra, à medida que uma força de ocupação militar sem piedade luta contra a população geral que foi transformada, você adivinhou, em mutantes e zumbis por um vírus liberado como parte de uma conspiração do governo. Naturalmente você sofre de amnésia e passa o jogo tentando descobrir o que diabos está acontecendo.
Pela comparação inevitável com “Infamous”, “Prototype” é definitivamente mais sombrio e adulto em seu tom. (Apropriadamente, “Infamous” tem classificação T para adolescentes, enquanto “Prototype” tem classificação M, para maiores de 17). “Infamous” é todo sobre escolhas morais, permitindo ao jogador decidir-se se comporta com nobreza ou egoísmo enquanto restaura a ordem à terra perdida do jogo. “Prototype”, por contraste, encoraja o jogador a tratar os moradores de Nova Iorque como gado. Até “Grand Theft Auto IV”, também ambientado em uma versão de Nova Iorque, força o jogador e confrontar consequências sérias por violência contra inocentes. Não há tais consequências em “Prototype”.
Tudo isso seria perdoado se o combate em “Prototype” fosse envolvente ou se a reprodução de Nova Iorque fosse detalhada e interessante. Infelizmente, não é nenhum dos caos. Em lugar de fazer os inimigos mais inteligentes, “Prototype” simplesmente fica acrescentando mais e mais deles. Enquanto cercado por dezenas de inimigos, pode ser loucamente difícil desferir os movimentos de luta que você quer; encontrei-me às vezes apertando botões aleatórios e esperando pelo melhor.
Igualmente, alguém pode dizer que muitas coisas sobre Nova Iorque, mas ser insípida não é uma delas. Mas em “Prototype” toda a cidade parece consistir em um punhado de prédios, repetidos à exaustão. Dito isso, a coisa que “Prototype” faz especialmente bem é oferecer um tipo divertido de locomoção. Usando o que pode ser descrito como parkour ou esteroides, você pode saltar de terraço em terraço, subir pelas laterais de arranha-céus e geralmente saltitar por Manhattan como se fosse seu parquinho privado.
Mas isso não é suficiente para recomendar “Prototype”. Talvez menos desculpável, a versão Windows tem problemas de áudio, como diálogos inaudíveis, que o tornam quase impossível de jogar. (O jogo também está disponível no Xbox 360 e no PlayStation 3). Se as produtoras querem ignorar os jogadores de PC, isso é escolha delas. Mas se as empresas lançam uma versão para PC de seus games, elas têm a responsabilidade de garantir que esses jogos funcionam apropriadamente.
A Activision fez o seu melhor com “Prototype”. Vamos esperar que esse jogo não seja um anúncio das temporadas de verão e de fim do ano que está por vir.
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