Review: "Dead Space: Extraction"

The New York Times - Seth Schiesel
16.10.2009
Você conhece os brinquedos temáticos do parque da Disney, como a Mansão Assombrada, em que se sobe em uma pequena geringonça em forma de concha e ela se move por uma pista enquanto balança para lhe mostrar cenas diferentes? Bem, e se você desse a todos ali um rifle infravermelho no estilo de paintball e colocasse alvos para destruir em cada cena? Algo na linha de “Atire nos vampiros com a bala de prata antes que eles comam Sally Sue”.
Você poderia até reformar um velho brinquedo da Disney como o Jungle Cruise, para que os participantes se tornassem caçadores que precisam atirar no búfalo das águas turvas ou o que seja (com um dardo tranquilizante, claro, para satisfazer as pessoas dos direitos aos animais). Em outras palavras, fazer uma galeria de tiros móvel e com um roteiro.

Quero crédito total quando tais atrações começarem a pipocar em parques de diversão ao redor do país nos próximos anos. Mas a inspiração real para o conceito seria o gênero consistentemente diverso de jogos conhecido como rail shooters. E não há rail shooter mais divertido ultimamente que o bom "Dead Space: Extraction", lançado pela Electronic Arts para o Nintendo Wii. "Extraction" oferece uma experiência de horror de ficção científica frenética, moderadamente assustadora, geralmente casual sem qualquer elevação intelectual necessária.
Em vez disso, "Extraction" descaradamente tradicional em sua confiança exclusiva em olhos apurados e dedos de gatilho rápidos. Afinal de contas, quando você está sendo perseguido em um planeta distante em uma nave espacial aterradora por um bando de zumbis espaciais, do que mais precisa?

Então, para explicar a analogia com parques: jogos em primeira pessoa geralmente confiam em duas mecânicas de jogo diferentes, mas relacionadas, os tiros e o movimento, com frequência ao mesmo tempo. Voltando aos anos 1990, os shooters modernos colocaram os jogadores em um ambiente tridimensional e os encorajaram a explorar as nuances táticas do cenário virtual enquanto lutavam contra os bandidos.
Os rail shooters, por contraste, colocam o jogador em trilhos virtuais. Na maior parte do tempo não dá para controlar nem para onde se olha. Em vez disso, seu trabalho é meramente atirar nas coisas e pegar itens enquanto passam. Então os rail shooters são muito mais parecidos com filmes que os demais jogos. (Com um filme ou programa de televisão, o espectador tem comando zero sobre onde a câmera aponta.)

Jogar um rail shooter pode ser desconcertante e frustrante a princípio para jogadores acostumados a poder olhar e se mover quanto quiserem, mas me encontrei imerso no modo mais passivo depois de apenas 20 minutos. (Levei cerca de seis horas para terminar o jogo na dificuldade normal.)
Entretanto, de algumas formas um rail shooter requer de fato um tipo mais intenso de concentração que um game de ação tradicional. Isso porque você nunca pode voltar. Se a câmera enfoca uma caixa de munição e você não a pega durante um ou dois segundos quando está na tela, provavelmente ficará perdida para sempre.
Um dos conceitos em "Extraction" é que os jogadores possuem telecinese, então eles podem apanhar objetos que estão fora do alcance de humanos normais. Uma das perturbações do jogo é que um jogador esperto vai apenas esmagar cegamente o grande botão A (que ativa a telecinese) na frente do controle na esperança de que consiga pegar algo perdido pelo olho nu. Mas à exceção desse problema e da dublagem sem imaginação, "Extraction" se sai bem por aquilo que é.
Em sua história, "Extraction" é uma prequel do "Dead Space" original, que foi lançado no ano passado para PC e para os consoles mais poderosos Playstation 3 e Xbox 360. "Dead Space" surpreendeu muitas pessoas, inclusive a mim, por conta do poder e do quão forjado um adventure de survival horror pode ser. O fato de a divisão interna da E.A. Redwood Shores (agora chamada Visceral Games) ter entregue uma nova propriedade intelectual tão excelente foi um crédito enorme para Nick Earl e os outros executivos do estúdio.
Em "Extraction" uma equipe de mineradores e exploradores interestelares descobre um monumento alienígena em um planeta distante. Sem surpresas, o artefato transforma quase todos em comedores de homens grotescos, e o jogador deve liderar os poucos sobreviventes em uma busca desesperada para escapar.
Foram necessárias significantes presenças de espírito e imaginação para levar a ficção de "Dead Space" para o Wii. O videogame é geral e corretamente pensado como uma máquina para famílias e encontros casuais, não jogatina hardcore. "Extraction" é classificado para maiores de 17 anos por causa da violência medonha e linguagem forte (embora, para ser sincero, se você tivesse correndo para salvar a sua vida de um alien, seria melhor não se mostrar muito amistoso mesmo).
A Electronic Arts está apostando que há donos de Wii o bastante que estão prontos para sair de minigames carnavalescos e adentrar uma experiência interativa mais sombria e envolvente.
Espero que a empresa esteja certa. "Extraction" é uma pedida que vale a pena de uma das franquias novas mais divertidas dos últimos anos.
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