Review: "Brütal Legend"

The New York Times - Seth Schiesel
23.10.2009
O termo labor do amor é usado geralmente para se referir a uma tarefa conquistada com descaso obstinado por recompensa financeira. Mas de vez em quando nos deparamos com um projeto descaradamente comercial que é tão intrinsecamente banhado com alegria e entusiasmo por seus sujeitos que nenhuma outra frase será o bastante.
Um produto como "Brütal Legend".
"Brütal Legends" conta a história de um roadie chamado Eddie Riggs. Em uma noite nos bastidores de uma arena, depois de carregar os equipamentos da banda imatura punk do momento, ele se lamenta por viver na era do smartphone em vez do LP. “Já sentiu como se tivesse nascido na época errada?” pergunta melancolicamente a outro integrante da produção. “Tipo como se você devesse ter nascido antes, quando a música era real?”
“Como nos anos 70?”
“Mais cedo”, responde Eddie. “Como no começo dos anos 70”.
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Veja você, dentro de minutos Eddie é transportado a um ultrajante mundo de fantasia inspirado na arte das capas de discos de heavy metal, um mundo onde ele deve desferir o poder do rock para libertar as pessoas oprimidas por demônios malvados. E não apenas qualquer rock. Não, para derrotar os diabos com couros pintados e outros bandidos, Eddie se transforma em um campeão do metal mais intenso em termos de guitarra, baixo e carga de adrenalina de outrora. Não é à toa que os primeiros seguidores de Eddie são os Headbangers de bandana.
Então quem podia dublar Eddie além de Jack Black? E que outro criador de jogos podia trazer um conceito inspirado tão delirante além de TIM Schafer, o designer por trás de clássicos como "Grim Fandango" e "Psychonauts"?
Nenhum jogo até agora deste ano carrega uma experiência estética mais profunda e mais bem realizada que "Brütal Legends". O roteiro de Schafer, a performance vocal de Black e o design meticuloso desse mundo exagerado explodem com uma reverência pela iconografia do heavy metal e do hard rock que consegue ser cheia de homenagem e humor, extravagante e amável, brega e adorável.
Enquanto Eddie trafega pela paisagem em sua caranga, ele ganha poderes novos do Guardian of the Metal (exibido como e dublado por um surpreendentemente inteligível Ozzy Osbourne) e recruta um curandeiro conhecido como Kill Master (Lemmy Kilmister do Motörhead).
"Brütal Legend" é violento e profano, mas talvez mais ofensivo nos dias de hoje, Eddie e Kill Master fumam cigarros tresloucadamente. Ninguém se droga, mas barris de cerveja ficam espalhados pela paisagem. Ainda assim, o tom geral é gloriosamente de boa natureza.
"Brütal Legend", desenvolvido pelo Double Fine Productions de Schafer e produzido pela Electronic Arts para o Playstation 3 e Xbox 360, não é um jogo musical no qual o usuário não está brincando de fazer música à "Rock Band" ou "Guitar Hero", mas inclui mais de 100 canções de mais de 70 artistas e a fetichização da trilha sonora das muitas variedades de heavy metal é realmente incrível de acompanhar.
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Como definido pelo jogo é claro que é metal clássico (incluindo Black Sabbath, Judar Priest e Motörhead). Mas há também thrash metal letalmente enegrecido (Skeletonwitch), epic fantasy metal (Brocas Helm), metal industrial (KMFDM), death metal melódico (Dark Tranquillity), pop metal (Mötley Crüe), power metal (Omen), symphonic black metal (Apostasy, Cradle of Filth) e thrash metal velho e puro (Anthrax, Slayer).
Não fosse pela omissão de grandes nomes como AC/DC, Metallica e Led Zeppelin, a lista de músicas de "Brütal Legend" poderia quase ser chamada de taxonomia do metal.
Todo gênero musical devia ter sorte o suficiente para inspirar um mundo de jogo tão bom quanto o de "Brütal Legend", apesar de provavelmente não haver nenhum outro som tão adequado para a tarefa quanto o heavy metal. Afinal de contas, demônios e dragões e magia negra são marcas de jogos e do hard rock. Não é coincidência que a era pela qual Eddie aspira tenha sido o tempo quando o heavy metal estava emergindo, as obras de J. R. R. Tolkien estavam se tornando amplamente conhecida, e jogos de RPG fantasiosos como "Dungeons & Dragons" estavam sendo desenvolvidos.
Alguns jogadores ficam chateados porque "Brütal Legend" se modifica no meio do caminho e passa de um hack-and-slash a uma série de disputas de estratégia em tempo real que criam algo como batalhas entre bandas. (O multiplayer online vem apenas no formato de estratégia.) Títulos de estratégia raramente funcionam em consoles, e "Brütal Legend" pode ser chamado de estratégia leve - mas gostei da mescla de estilos. Na dificuldade padrão "Brütal Legend" nunca é particularmente difícil.
No geral, o jogo é um dos melhores do ano – contanto que você consiga bater a cabeça um pouco.
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