Videogames (Controles não são necessários)

The New York Times

The New York Times - Seth Schiesel
03.11.2009

Desde meu primeiro show do Allman Brothers quase duas décadas atrás, comprei ingressos para pelo menos 50 concertos esgotados de rock no Beacon Theater, na Broadway.

Entretanto, nunca tinha visto centenas de pessoas entrarem em uma casa de espetáculos uma hora antes do show até alguns dias atrás, quando o “Video Games Live” teve lotação. Havia de fato algumas coisas para fazer no lobby antes, como participar de uma competição de “Guitar Hero” e uma disputa de fantasias, mas a maior parte da multidão apareceu antes só para passear.

Tommy Tallarico e Jack Wall, os compositores de game music que criaram e dirigem o “Video Games Live”, realizaram um show cativante e orgulhosamente bombástico. Mas essa demonstração de comunidade por parte do público foi quase tão impressionante quanto tudo no palco.

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Isso não é elogio barato. O termo “apresentação multimídia” é seco, mas talvez seja a única forma de descrever inteiramente o espetáculo de algumas dezenas de musicistas clássicos, o Temple University Concert Choir, dois guitarristas e uma flautista vestida de elfa, todos tocando músicas dos jogos japoneses “Chrono Cross” e “Chrono Trigger” enquanto três telas grandes suspensas acima do palco exibiam cenas dos games em sincronia com a música.

E quem assistiu a tudo isso, enchendo o hall com o máximo de aplausos, gritos e incentivos quanto ouvi no Beacon? Havia muitos pais com filhos, mas a maioria das pessoas na multidão era casais e grupos de homens entre 20 e 30 anos. Por mais impressionante que pode ser, havia até algumas pessoas com mais de 40 anos desacompanhadas de menores. E isso numa noite em que os Yankees estavam jogando contra os Angels para uma vaga na World Series.

A empresa por trás do “Video Games Live” apresenta cerca de 60 shows por ano ao redor do mundo com músicos locais em colaboração com Tallarico, Hall e um elenco alternado de solistas. Porém, o sucesso da turnê é apenas uma manifestação da confluência cada vez mais feliz, sem falar dos lucros, entre os videogames e a música.

O “Video Games Life” enfatiza as músicas em jogos que são principalmente sobre outras coisas, como salvar a galáxia de aliens, derrotar os mortos-vivos ou resgatar as princesas dos bandidos. Mas agora existem jogos populares que permitem uma aproximação entre tocar música (“Guitar Hero”, “Rock Band”), entre os que são construídos em torno do canto (“SingStar”, “Lips”) e entre os que têm a ver com a cultura da música (“Brütal Legend”).

Músicos populares de Kiss a 50 Cent estão ansiosos por colocar suas músicas novas nos jogos. Reciprocamente, alguns fãs de música estão se voltando aos últimos jogos para descobrir novas canções. A Rockstar Games, que faz “Grand Theft Auto”, até colaborou com o produtor e rapper Timbaland para lançar um programa de criação de música chamado “Beaterator”. O lance é que apesar de o Beaterator ser feito por uma empresa de videogames para o que geralmente é considerado um sistema, o PlayStation Portable da Sony , não há um jogo no jogo. Em vez disso, “Beaterator” é mais um pequeno estúdio portátil do Pro Tools.
Enquanto isso, “DJ Hero”, que espera fazer para o hip-hop e dance music o que “Guitar Hero” fez pelo rock – isto é, fazer com que milhões de pessoas girem e usem controles de discotecagem na sala – foi lançado pela Activision na semana passada. Jay-Z estava no hotel Plaza em Manhattan para promover o game, e Grandmaster Flash, que faz a voz do tutorial em “DJ Hero”, foi parte de um painel de discussão sobre a convergência de música e jogos no Carnegie Hall há duas semanas.

A verdadeira estrela do painel foi Alex Rigopulos, executivo-chefe e cofundador do Harmonix Music Systems, criadores de “Guitar Hero” e “Rock Band”. Até agora, lançar uma música para esses jogos exigiu dos desenvolvedores traduzir a faixa em um formato que funciona com o software. Mas em seus comentários mais provocativos, Rigopulos disse que queria desenvolver uma rede mais aberta de “Rock Band” que permite aos artistas publicar música para uso nos jogos essencialmente por conta própria. A esperança é a de que “Rock Band” possa evoluir de um mero jogo musical para uma plataforma online mais ampla para distribuição de música.

É um longo caminho para os bips e blops dos primeiros jogos. Como parte do “Video Games Live”, Tallarico conduziu uma entrevista ao vivo via Skype com Ralph H. Baer, o engenheiro que pode tomar para si mais do que qualquer um a invenção do videogame moderno. (Ele inventou também o game eletrônico portátil e clássico Simon.) A conversa quase pareceu uma aula de história dos videogames para o público.

Depois houve mais música – em grande parte medleys de temas de várias séries como “Warcraft”, “Halo” ou “Final Fantasy” – acompanhada de imagens de jogo sincronizadas. Wall conduziu a sinfonia de cerca de 50 músicos enquanto Tallarico balançava pelo palco como apresentador e guitarrista ocasional. Martin Leung, um pianista que ganhou fama no YouTube, fez tremer a casa com sua apresentação famosa com uma venda nos olhos tocando o tema de “Super Mario Brothers”.

Tallarico disse em uma entrevista que espera que a popularização do “Video Games Live” reflita o avanço dos jogos nas últimas décadas.

“Tenho 41 anos e somos a primeira geração a crescer com jogos e computadores e MTV e a Internet”, afirmou. “E só porque chegamos aos 40 não quer dizer que paramos de jogar, e agora temos filhos e nos próximos 20 anos seremos avós, e então estaremos todos nessa cultura”.

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Tags: Video Games Live, Tommy Tallarico e música nos games.




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